Deputados barrados em sessão de Renan vão depor na PF

Raul Jungmann, um dos 13 parlamentares da Câmara que estava na sessão, cobra explicação do Senado

Andréia Sadi, do estadao.com.br

14 Setembro 2007 | 20h57

Os deputados federais Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira(PV) disseram nesta sexta-feira, 14, que foram convocados pela Polícia Federal a depor sobre o incidente da última quarta-feira, no Senado, quando foram impedidos por seguranças de entrar na sessão que decidiu pela absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).    Ouça as entrevistas:        Sobre agressão no Senado, Raul Jungmann diz que vai depor na PF   Confusão na entrada da sessão do Senado é assunto encerrado para Gabeira   Jefferson Peres (PDT-AM) acha que Senado hoje está ingovernável        "O Ministério Público e a Polícia Federal nos procurou, eu, pelo menos vou prestar depoimento na próxima terça-feira. Espero que seja feita a requisição", disse Jungmann. Ele informou ainda que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) mandou ofício ao Senado para que a instituição tome as providências necessárias para apurar o caso. Segundo o deputado, a abertura de inquérito foi pedida pelo Ministério Público Federal.  Jungmann cobra também uma posição do Senado Federal sobre o episódio. "O Tião Viana (1º vice-presidente do Senado) tem que abrir um inquérito, tem que punir os responsáveis. Nós empurramos, mas não batemos em ninguém", defende-se o deputado. O deputado disse que quando Renan soube do ocorrido, na abertura da sessão, limitou-se a dizer que "aquilo foi um equívoco", e em seguida, começaram as manifestações de apoio de senadores a eles. Para Gabeira, o assunto está encerrado. Sobre a convocação disse que tem de "combinar com o deputado Jungmann". "Corpo a corpo com segurança, eu faço desde menino. Não tenho nada a declarar", disse o deputado, que acertou um soco "sem querer" em Tião Viana, e ,em seguida, se desculpou e os dois teriam se beijado. 'Senado ingovernável' O senador Jefferson Peres(PTD-AM) disse em entrevista ao estadao.com.br que  o Senado, após a absolvição de Renan, "acabou nesta legislatura". "O resultado da absolvição desmoralizou a Casa. Renan não tem condições de dirigir o Senado e não pode fazer mais uma reunião de líderes- o que é indispensável para questões como a CPMF". Na última quinta-feira, senadores de seis partidos se reuniram e decidiram não participar de sessões presididas pelo presidente da Casa, o que prejudica a aprovação da prorrogação da CPMF. Bastidores da sessão  Peres contou ainda bastidores da sessão secreta. "Eu estava no gargarejo, olhando para Renan, e ele disse: senadores, eu não fiz nada de errado, além da relação extraconjugal.Ele disse tudo em um tom muito suave, só se tornou agressivo no fim- com a Heloísa, aí ele mostrou a sua face". Peres se refere à acusação do presidente do Senado a ex-presidente do PSOL, Heloísa Helena. Nos últimos momentos do seu discurso, Renan acusou Heloísa de sonegação fiscal. A ex-senadora contou, após a sessão, que respondeu a Renan também dizendo que o senador deveria passar água sanitária na boca ao se dirigir a ela.

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