Deputados alagoanos se calam diante de denúncia no STF

Parlamentares são acusados de pistolagem e já foram substituidos por suplentes

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

03 de maio de 2008 | 15h33

Nenhum dos parlamentares alagoanos denunciados por crimes de pistolagem foi encontrado neste sábado para comentar o processo que tramita contra eles no Supremo Tribunal Federal (STF).  A reportagem do Estado tentou contato telefônico com eles, mas nenhum deles deu retorno. A assessoria de imprensa da Assembléia informou que os deputados estaduais, denunciados no STF, devem se pronunciar a respeito do caso no início da semana.  A denúncia envolve também três delegados da Polícia Civil (Nilson Alcântara, Flávio Saraiva e Cícero Torres) e um ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas (coronel Amaral). O processo foi instaurado a pedido do Ministério Público Federal, com base no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Congresso Nacional. Inicialmente a denúncia do MPF foi encaminhada ao Tribunal Regional da 5ª Região, com sede no Recife (PE), mas depois foi encaminhada ao STF porque o caso envolve o deputado federal Francisco Tenório (PMN-AL).  Além de Tenório, os deputados estaduais Antônio Albuquerque (expulso do DEM) e João Beltrão (PMN) estão entre os acusados. Os dois deputados foram indiciados pela Polícia Federal na Operação Taturana, que apura o desvio de R$ 280 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. Albuquerque está afastado da presidência do legislativo alagoano, por determinação do desembargador do Tribunal de Justiça, Antônio Sapucaia. Além dele, outros cinco integrantes da Mesa, indiciados pela PF no inquérito da Taturana, também estão afastados.  Quatro suplentes assumiram os cargos, por determinação na Justiça. Outros três suplentes ainda não assumiram - Cabo Luiz Pedro (PMN), Alves Correia (PMN) e Temóteo Correia (PMN) - não assumiram porque respondem processo na Justiça, o primeiro está preso acusado de homicídio.  Dos 27 deputados estaduais que começaram a atual legislatura, quatorze estão respondendo a inquérito ou processo criminal na Justiça. O ex-deputado estadual Antônio Holanda Júnior (PTdoB) teve o mandato cassado no início do ano, pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TER/AL), por compra de votos nas eleições de 2006.  Além do processo eleitoral, Hollanda Júnior também foi indiciado pela PF na Operação Taturana. No início do ano, ele foi substituído pelo primeiro suplente da sua coligação: Carlos Cavalcante (PTdoB). Outros doze deputados estaduais com mandato também foram indiciados pela PF na Operação Taturana. Desses, nove foram afastados, por determinação da Justiça, a pedido do Ministério Público Eleitoral.  Todos são acusados de tomar empréstimos em instituições financeiras, como Bradesco e Banco Rural, usando a verba de gabinete como renda e o legislativo alagoano como avalista. Por isso, são acusados de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro.

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