Deputados adiam em um mês adesão da Venezuela ao Mercosul

Artigo que levanta pendências técnicas para adesão e críticas de Chávez ao Congresso seriam os motivos

Agência Estado,

26 de setembro de 2007 | 13h47

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados decidiu novamente adiar, desta vez para o dia 24 de outubro, a votação do protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul.  O presidente da Comissão, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), deixou claro à Agência Estado que o adiamento por mais um mês teve duas motivações e que, dificilmente, a tramitação do protocolo será concluída até o final de novembro, como previu o chanceler Celso Amorim, na semana passada.  Veja também:  Chávez acusa o Congresso brasileiro de submissão aos EUA Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez   A primeira motivação foi o artigo "A Venezuela e o Mercosul", do embaixador Rubens Barbosa, publicado nas edições da última quarta do Estado  e O Globo, que detalha as pendências técnicas dessa adesão. Vieira da Cunha informou que vai enviar ainda nesta quarta ao Itamaraty um ofício com o pedido de explicações, por meio de nota técnica, sobre os pontos em aberto mencionados por Barbosa. A segunda motivação foram as declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no último dia 20, em Manaus. Pouco antes de encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Chávez afirmou que o atraso da tramitação do Protocolo de Adesão no Congresso brasileiro devia-se à "mão do império".  Em junho passado, ele declarara que o Congresso "repetia como um papagaio" o que dizem os congressistas americanos. "Estávamos com um clima maduro para a votação . Mesmo com o desmentido do presidente Chávez, que atribuiu seu deslize a uma intriga da mídia brasileira, suas declarações geraram um mal-estar", afirmou Vieira da Cunha.  Avaliação 'profunda' Em sessão encerrada nesta quarta-feira, 26, o deputado Dr. Rosinha (PT-RR), relator do texto, informou seus colegas que havia consultado previamente as lideranças partidárias e chegado a um consenso com eles sobre a necessidade de adiamento da votação, para que seja realizada uma avaliação mais profunda das questões técnicas que envolvem a adesão plena da Venezuela ao Mercosul.  Uma das questões técnicas em aberto é o cronograma de liberalização comercial entre Venezuela e Brasil - tema que o governo venezuelano evitou discutir ao longo deste ano. O Protocolo de Adesão foi assinado em julho do ano passado, durante a Reunião de Cúpula do Mercosul em Córdoba, na Argentina. O texto foi aprovado pelos Congressos da Venezuela, da Argentina e do Uruguai. No Brasil, foi encaminhado ao Congresso em fevereiro deste ano e ainda não saiu do primeiro estágio - a aprovação na Comissão de Relações Exteriores.  Em princípio, a votação deveria ter acontecido na quarta-feira passada, dia 19. Mas quatro deputados - Arnaldo Madeira (PSDB-SP), Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Colbert Martins (PMDB-BA) e Raúl Jungmann (PPS-PE) - pediram vistas, e a sessão foi adiada para esta quarta.       

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