Deputados adiam CPI para investigar PT no RS

Os deputados gaúchos adiaram para a semana que vem a decisão sobre o pedido de abertura de uma CPI para investigar o tráfico de influências do empresário Diógenes de Oliveira no governo gaúcho. Ao analisarem o assunto hoje, os participantes das comissões da Constituição e Justiça e de Fiscalização e Controle preferiram esperar para ver os documentos que comprovariam práticas ilícitas e pela resposta da assessoria jurídica sobre os prazos para encaminhamento da investigação. A cautela foi justificada pela ausência das provas. Até hoje os deputados só tinham conhecimento das denúncias, feitas pela agente de viagens Maria Ângela Fachini, ex-sócia de Diógenes, pela imprensa. Para ter acesso às provas, uma comissão de deputados estaduais do Rio Grande do Sul vai pedir amanhã ao procurador geral de Justiça, Cláudio Barros Silva, cópia dos documentos que Maria Ângela entregou ao promotor Darwin Ferraz Reis quando, no dia 11 de junho, disse que a Pangea Viagens e Turismo, empresa de Diógenes, ganhou uma licitação que teria tido cartas marcadas e emitiu passagens aéreas fictícias para obter um financiamento destinado a gerar caixa para o PT.Os deputados também vão solicitar cópia do depoimento em que Maria Ângela reconhece ter dado falso testemunho em dezembro do ano passado, quando declarou ter emprestado R$ 3 mil para o Clube de Seguros da Cidadania adquirir o imóvel que serviu de sede ao PT até maio passado.A partir das revelações da agente de viagens, alguns deputados gaúchos acessaram dados do governo na Internet e constataram que a Pangea emitiu passagens para diversos órgãos do governo e não apenas para a Secretaria da Saúde, objeto da denúncia. E pediram ao Tribunal de Contas do Estado uma investigação de todas as licitações que tenham tido a participação da empresa de Diógenes.O deputado Flávio Koutzii (PT) lembrou que a principal emissora de passagens para o governo é a Unesul Turismo e que a Pangea tem pequena participação no total de serviços prestados, e sempre em licitações legais. "Isso é uma técnica diversionista", rebate o deputado Cezar Busatto (PPS). "Precisamos esclarecer se houve ou não processo de licitação viciado, compra de passagens fictícias e transferência de recursos para o PT".

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