Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Deputado tucano lidera movimento para candidatura de Doria ao governo de SP

'Vamos aguardar que esse movimento de fato aconteça para poder analisar', diz Doria

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

23 Dezembro 2017 | 16h17

Aliado do governador Geraldo Alckmin, o deputado Cauê Macris (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, assumiu a linha de frente de um movimento no PSDB que defende a candidatura do prefeito João Doria ao governo paulista na eleição de 2018. 

Ao Estado, Cauê afirmou que a maioria dos 20 deputados estaduais da legenda e quase todos os prefeitos tucanos das maiores cidades paulistas estão fechados com essa tese. 

Atualmente, o PSDB tem três nomes colocados pela direção partidária como pré-candidatos, além de Doria. São eles o senador José Serra, o sociólogo Luiz Felipe d’Avila e o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro. 

 

“Sinto que a ampla maioria dos prefeitos tucanos do Estado e dos deputados estaduais do PSDB defendem que a melhor opção é o prefeito João Doria disputar o governo paulista. Em ano de Copa do Mundo, temos que escalar nosso melhor atacante. E o Neymar do PSDB é o Doria”, disse Cauê. 

Questionado se o prefeito concorda com essa proposta, o deputado é cuidadoso. “Eu, como presidente da Assembleia, tenho uma grande desafio nesse momento: convencê-lo a ser nosso candidato”.

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O primeiro passo desse “convencimento” será dado no dia 16 de janeiro, quando os deputados estaduais tucanos se reunirão com Doria. 

A articulação do presidente da Assembleia chama atenção porque ele não integra o grupo do prefeito no partido e fez duras críticas às movimentações nacionais dele ao longo de 2017 para se viabilizar como pré-candidato ao Palácio do Planalto. 

Manifesto. A maioria dos deputados ainda resiste a declarar publicamente o apoio, mas defende a tese. Isso deve mudar até março, segundo Cauê. Ele vai articular a elaboração de um manifesto que deve ser assinado por deputados e prefeitos pró-Doria. 

A mais recente pesquisa Datafolha de intenção de voto em São Paulo, divulgada no começo deste mês, deu impulso ao nome do prefeito da capital. O deputado Celso Russomanno (PRB-SP), que deve tentar a reeleição na Câmara, apareceu com 25%, seguido de Doria, com 18%, e o empresário Paulo Skaf (PMDB) com 13%. Em um cenário sem o prefeito, Serra recebeu 13% de intenção de voto. 

Outra frente do movimento pela candidatura de Doria é liderada pelo vice-prefeito Bruno Covas, que controla cerca de 20% da máquina partidária do PSDB na capital e tem influência na executiva estadual do partido, da qual faz parte. 

Aliados do prefeito reconhecem, porém, que a palavra final será do governador Geraldo Alckmin, que é pré-candidato à Presidência da República. 

Auxiliares do governador dizem que em 2018 ele não deve entrar de cabeça na disputa interna como fez em 2016. 

Apesar de Doria dizer que pretende “prefeitar” em 2018, auxiliares de Alckmin identificaram movimentos políticos do prefeito. Os alckmistas reconhecem que ele é quem tem hoje o melhor potencial eleitoral, mas argumentam que Doria só será o escolhido se houver um “clamor” do PSDB paulista. 

“Você pode ver o Doria vestido de muitas coisas, mas nunca de braços cruzados. A marca dele, o João Trabalhador, mostra a atuação dele. Queremos que o povo paulistano forneça o Doria para o estado de São Paulo”, disse Cauê. 

Integração. Ao Estado, o prefeito João Doria disse que nunca se colocou como candidato a nada. “Fui eleito para ser prefeito. Nunca disse que seria candidato a nada. Vou cumprir meu mandato”, afirmou. 

Mas ele deixou uma porta aberta para mudar de posição quando questionado sobre o movimento em torno de seu nome. 

“Vamos aguardar que esse movimento de fato aconteça para poder analisar. Nosso foco está integralmente na Prefeitura. Você não tem notícias do João Doria visitando prefeitos no interior ou a Assembleia. Estou na capital”, afirmou. 

Segundo o prefeito, faz sentido ao PSDB que a definição do candidato ao governo esteja “absolutamente” integrada e harmonizada com a campanha nacional de Alckmin.

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