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Deputado terá que prestar depoimento à PF sobre helicóptero com cocaína

Polícia federal também deve ouvir Carolina Perrella, irmã de deputado, e um primo deles, André Almeida Costa, ambos sócios na empresa fundada pelo senador Zezé Perrella (PDT-MG)

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2013 | 16h49

BELO HORIZONTE - O deputado estadual Gustavo Perrella (SDD), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), terá que prestar depoimento à Polícia Federal (PF) na investigação que ocorre em torno da apreensão de 443 quilos de cocaína em um helicóptero da empresa da família. A aeronave pertence à Limeira Agropecuária e Participações Ltda e, além do deputado mineiro, a Superintendência da PF no Espírito Santo, onde ocorreu a apreensão, também expediu cartas precatórias para que sejam ouvidos em Minas a irmã do parlamentar, Carolina Perrella, e um primo deles, André Almeida Costa, ambos sócios na empresa fundada por Zezé Perrella.

Mas o delegado Leonardo Damasceno, responsável pelas investigações, ressaltou que todos prestarão depoimentos como testemunhas. "Os donos (do helicóptero) não estão na condição de investigados", salientou. Por este motivo, segundo o policial, não será pedida a quebra do sigilo telefônico dos donos da Limeira para verificar troca de ligações com o piloto Rogério Almeida Antunes, de 36 anos, funcionário da empresa que conduzia a aeronave apreendida com a droga.

Depois de a operação ser divulgada, Gustavo Perrella afirmou que não sabia do voo e que acusaria Antunes por furto da aeronave, que estaria em manutenção. Damasceno, porém, afirmou que já teve informação sobre troca de mensagens de texto e telefonemas entre Gustavo Perrella e Antunes antes do voo que terminou com a prisão do piloto, do copiloto Alexandre José de Oliveira Júnior, de 26, e de Róbson Ferreira Dias, de 56, e Everaldo Lopes de Souza, de 37, flagrados quando já haviam carregado parte da droga em um carro no sítio em Afonso Cláudio onde ocorreram as prisões.

O delegado ressaltou ainda que não será necessária a quebra de sigilo telefônico dos investigados porque os telefones celulares dos acusados foram apreendidos e já estão sendo periciados. "Também já havia sido mencionado pelo piloto que ele (Antunes) tinha autorização para fazer fretes. Isso não permite concluir que os donos (do helicóptero) tinham conhecimento do que era transportado", disse. Já Antunes, segundo o policial, admitiu que "supôs que talvez fosse droga" o pacote que seria transportado quando foi contratado por Alexandre Oliveira e, assim como os demais acusados, será indiciado por tráfico de drogas.

Assembleia. Nesta quarta, 27 foi publicada a exoneração de Rogério Antunes do cargo de agente de serviço de gabinete 1 da 3ª Secretaria da Mesa da Assembleia Legislativa de Minas, a cargo do deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (PDT). Ele confirmou ao Estado que o piloto foi indicado para o cargo em março passado por Gustavo Perrella, que era seu correligionário antes de se filiar ao Solidariedade. O Ministério Público Estadual (MPE) vai apurar se Antunes cumpria as quatro horas de trabalho diárias na Casa, pelas quais recebia salário mensal de R$ 1,7 mil, e informou que há possibilidade de entrar com ação de improbidade administrativa - que pode resultar em perda de mandato e inelegibilidade - contra Perrella caso seja comprovado que o piloto não comparecia no local. Segundo Alencar, apesar de Antunes ser lotado na 3ª Secretaria, ele era funcionário de Gustavo Perrella e caberia ao colega controlar o ponto do contratado.

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