Deputado tenta evitar confronto entre Exército e PM

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Nelson Pelegrino (PT-BA), vai tentar intermediar a negociação entre policiais militares de Tocantins, que estão em greve há uma semana, e o governo do Estado."Os grevistas deram sinais de que querem negociar, e espero que o caminho seja o do acordo e não o do conflito, porque ele poderá ter conseqüências imprevisíveis", declarou Pelegrino, que desembarca na madrugada desta terça-feira em Palmas."Não queremos, de forma alguma, morte em um conflito sindical", acrescentou ele, que também quer reunir-se com o comando do Exército que se encontra no local. No governo federal, a disposição é a mesma: evitar qualquer tipo de confronto. O Comando Militar do Planalto, que está à frente da operação em Tocantins, informou nesta segunda-feira que a "invasão é a última ação".O CMP justificou a necessidade da presença do Exército na área para garantir a lei e a ordem, já que a PM não estava cumprindo o papel de oferecer segurança à população.As Forças Armadas também estão confiantes de que haja uma saída negociada para a greve, embora o Alto Comando do Exército reconheça que a situação no local é tensa. Preocupado com a possibilidade de um choque na área, que pudesse levar a uma situação de caos no Estado, o presidente Fernando Henrique Cardoso determinou que o ministro-chefe do Gabinete Militar , general Alberto Cardoso, embarcasse para Palmas a fim de verificar de perto, a evolução das negociações. Nesta segunda-feira, Nelson Pelegrino conversou por duas vezes com o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, para pedir a ele que não haja invasão do quartel ocupado pelos PMs em greve, para evitar o choque.Quintão foi informado pessoalmente pelo comandante do Exército, general Gleuber Vieira, da situação na área. O ministro, de acordo com o deputado, lembrou que já existe uma determinação da Justiça de reintegração de posse, mas que não havia, por parte do governo, qualquer intenção de confronto.Geraldo Quintão, que se reuniu com o general Gleuber, para fazer um balanço da situação, considerou o quadro preocupante e tenso.O ministro, ainda segundo o deputado, lembrou que o Exército foi chamado pelo governo do Estado para restabelecer a lei e a ordem e, caso não houvesse hostilidade por parte dos PMs, seria possível administrar a situação. "Vamos tentar uma saída negociada e por isso pedimos para que ele esperasse até esta terça-feira antes de tomar qualquer atitude mais drástica como a invasão do quartel", acentuou o deputado que classificou como "pacífico" o movimento dos grevistas. "O meu temor é que o governo queira enfrentar a PM de forma truculenta."Em seguida, ele lembrou um incidente na Bahia, em 1981, quando um tenente da PM de Salvador morreu e outro ficou paraplégico depois de confronto com tropas federais.

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