Deputado quer reabrir IPM sobre guerrilha

O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) pedirá a reabertura do inquérito policial-militar (IPM) sobre a morte de 68 militantes do PCdoB que, no começo da década de 70, participaram da Guerrilha do Araguaia, no sul do Pará. O inquérito foi arquivado há mais de 20 anos pela Justiça Militar. A prova que faltava para a reabrir o caso, segundo Greenhalgh, advogado dos familiares das vítimas, foi o depoimento prestado ontem na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados pelo coronel-aviador da reserva da Aeronáutica Pedro Correa Cabral. Ele acusou o coronel Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como "Major Curió", ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) e hoje prefeito de Curionópolis (PA), de comandar a execução de vários guerrilheiros."O coronel Cabral fez uma acusação direta ao ´Major Curió´, apontando-o como chefe de um grupo de extermínio das patrulhas militares, que levavam prisioneiros para indicar locais onde estariam enterradas armas, munições, remédio e roupas. Saíam pela manhã e voltavam à tarde com tudo, mas sem as pessoas", afirmou o deputado. Para ele, esse "fato novo" justificaria a reabertura do caso, com arrolamento de testemunhas e tomada de depoimento de ´Major Curió´.O ex-agente do SNI, embora convocado pela Comissão de Direitos Humanos, não compareceu para depor na mesma sessão em que foi acusado por Cabral. "Os crimes praticados não prescreveram. A situação de ´Curió´ é muito complicada", observou Greenhalgh. "Major Curió" foi procurado pela reportagem na prefeitura de Curionópolis, mas um assessor informou que ele "não fala" sobre o caso e que nada tem a comentar sobre as declarações prestadas em Brasília por Cabral.

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