Deputado quer fim de multa por radar e foto

O presidente da comissão especial da Câmara que acompanha a aplicação do Código Brasileiro de Trânsito, Ary Kara (PPB-SP), quer suspender até 2002 o uso de equipamentos eletrônicos para multar excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho. "As multas viraram receita para os municípios", acusa Kara, reclamando de que as prefeituras não investem em campanhas educativas de trânsito. O deputado está analisando 300 emendas propostas por deputados. O código de trânsito entrou em vigor em janeiro de 1998 e, até agora, o único artigo revogado foi o que tornava obrigatório o porte do kit de primeiros socorros.Ary Kara adianta que não pretende reinstituir o artigo vetado pelo Planalto, que proibia a passagem de motoqueiros no espaço entre os carros. "Não há a menor chance", comenta Kara, lembrando que, no País, o número de motoqueiros é assustador, e que seria impossível fazer esse tipo de fiscalização. Ele defende que se invista em educação de motoqueiros e pedestres para evitar atropelamentos por motos que realizem a manobra entre os carros. E recomenda muita precaução ao atravessar a rua em época de apagão.Uma das maiores queixas dos motoristas, o alto preço das multas, também está fora dos planos de Kara na reformulação do código. "Só quem abusa recebe multas elevadas", justifica. Ele está convencido de que o alto valor tem servido para inibir as infrações, porque, segundo pesquisa da Polícia Rodoviária Federal, houve uma redução de 600 mil multas, entre 1999 e 2000. Enquanto estuda as emendas de mudança do código, Kara também começará a cobrar dos ministérios beneficiados com dinheiro do seguro obrigatório uma prestação de contas. Ele quer saber como o dinheiro está sendo aplicado.

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