Deputado que votou pela absolvição vai relatar caso Jaqueline na CCJ

Deputada foi flagrada em vídeo em que recebe dinheiro de pivô do 'mensalão do DEM'

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br

05 de julho de 2011 | 16h45

BRASÍLIA -  O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), João Paulo Cunha (PT-SP), escolheu um deputado que defendeu a absolvição de Jaqueline Roriz (PMN-DF) para relatar um recurso dela contra a cassação aprovada pelo Conselho de Ética. A escolha de Vilson Covatti (PP-RS) foi anunciada na tarde desta terça-feira, 5.

 

O Conselho recomendou a cassação da parlamentar devido ao vídeo de 2006 em que ela aparece recebendo um pacote de dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. A principal tese da defesa é de que ela não pode ser cassada porque o fato é anterior ao seu mandato. O Conselho, porém, endossou a posição do relator Carlos Sampaio (PSDB-SP) de que o caso pode ser julgado porque só veio a conhecimento público em março deste ano.

 

Covatti foi um dos três deputados que votou para absolver Jaqueline no Conselho. Na ocasião, ele "comprou" a tese da defesa e chegou a bater boca com Sampaio dizendo não querer receber "aula" do tucano.

 

Em suas manifestações no Conselho, o deputado do PP chegou a citar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Lei da Ficha Limpa para justificar sua posição de não punir a colega por um crime do passado. "Não estamos julgando o fato, até bom esclarecer que a imprensa, os olhos da sociedade estão voltados para nossa decisão, não estamos julgando o fato da deputada Jaqueline Roriz. Cabe a nós decidir se essa casa vai retroagir ou não. Vamos pela orientação do Supremo tribunal federal ou não".

 

Naquela oportunidade, Sampaio corrigiu o colega lembrando que a decisão do STF foi apenas de que a lei não poderia ter sido aplicada em 2010. Mesmo assim, Covatti votou para salvar Jaqueline de qualquer punição.

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