Deputado propõe apuração de telefonema para presídio

O corregedor da Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira (PR-PE), classificou de episódio de "gravíssimo" a ligação feita de um telefone do gabinete do deputado Talmir Rodrigues (PV-SP) para um presidiário em uma penitenciária no interior de São Paulo e defendeu a abertura de investigação para apurar a eventual participação do parlamentar. "Aqui não é a ''casa da mãe Joana'' para qualquer um entrar em gabinete e ficar ligando para presídio. Se o deputado diz que não sabia de nada, alguém do gabinete dele vai ter de assumir a responsabilidade e ser demitido", afirmou. "O deputado tem de saber que existe lei que considera crime e proíbe ligações para cadeias."A posição de Inocêncio não é isolada. A Mesa Diretora da Câmara estuda abrir uma sindicância para investigar a ligação. Na conversa telefônica, gravada há 20 dias e divulgada pela TV Globo, uma mulher não identificada acerta detalhes da organização de uma passeata por melhores condições para os detentos com Elmo Cerqueira dos Santos, que cumpre pena por roubo e receptação numa cadeia paulista.ViagemInocêncio criticou ainda Dr. Talmir que, mesmo depois da denúncia, resolveu viajar em missão oficial da Câmara para Bruxelas, na Bélgica, para participar de evento representando a Comissão de Direitos Humanos da Casa. "Ele (Dr. Talmir) não tinha nada que ter viajado para a Europa. Tinha que ficar aqui e dar explicações sobre o caso", defendeu o corregedor.Para o presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), o deputado Dr. Talmir terá quebrado o decoro parlamentar, caso fique comprovado que ele autorizou a ligação telefônica de seu gabinete para um presídio. "Mas o Conselho só poderá abrir um processo contra o deputado se for provocado, se algum partido político pedir", observou. Antes de viajar ontem para Bélgica, Dr. Talmir participou de manifestação organizada por parentes de presos, em Brasília, reivindicando melhores condições nas cadeias.

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