Deputado pró-jogo do bicho reclama de Chinaglia

A pressão pela votação do projeto que legaliza o jogo do bicho provocou hoje uma reclamação formal do deputado Edgar Moury (PMDB-PE) contra o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Moury protocolou um documento no qual manifesta "repúdio pela maneira deseducada, descortês e autoritária" como foi tratado por Chinaglia. O motivo da insatisfação do deputado do PMDB de Pernambuco foi a reunião no gabinete do presidente da Câmara com a bancada do Estado.Enquanto Chinaglia recebia familiares de vítimas do acidente da TAM no gabinete, 11 deputados da bancada de Pernambuco, levados pelo líder do PT na Casa, Maurício Rands (PE), entraram na sala para discutir a votação do projeto que está em tramitação na Casa que legaliza o jogo do bicho e o funcionamento dos bingos no País.De maneira incisiva, o presidente da Casa foi objetivo. "Sou contra esse projeto. Não vou colocar esse projeto na pauta para votação. Ele vai levar à legalização dos bingos", disse, segundo relato de deputados pernambucanos presentes no encontro. Em seguida, Chinaglia foi ao plenário presidir a sessão que estava em andamento.Irritado, Moury, no fundo do plenário, xingava Chinaglia aos colegas de bancada que tentavam acalmá-lo. Ele resolveu redigir a nota que protocolou mais tarde na presidência da Câmara. "Tenho 64 anos e me acho velho para levar carão. Minha formação não permite escutar isso calado. Nenhum presidente é dono da verdade", reclamou. Em Pernambuco, ações do Ministério Público (MP) provocam o fechamento de casas de jogos de bicho e os deputados foram buscar uma saída legislativa para garantir a atividade no Estado.Segundo Chinaglia, na rápida reunião com os deputados, ele quis deixar clara a posição para evitar a impressão e interpretações de que ele poderia estar de acordo com a proposta de regularização do jogo de bicho. Chinaglia ressaltou que esse assunto não devia ser discutido "em pé durante um encontro de 30 segundos". O presidente da Câmara marcou uma reunião com a bancada de Pernambuco para a próxima semana, mas deixou claro que não está convencido de que esse assunto deva ser incluído na pauta de votações.

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