Deputado no forró e plenário vazio

Chinaglia promete cortar salário de quem privilegia festas juninas em vez de trabalho na Câmara

Denise Madueño e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

Para segurar em Brasília os parlamentares gazeteiros que trocam o plenário pelos arraiais do Nordeste, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou telegrama, convocou sessão no plenário e avisou que haverá desconto - de cerca de R$ 850 por dia - no salário do deputado que faltar às sessões de hoje, amanhã e quinta-feira. As festas juninas, tradicionais no Nordeste, e a reta final das convenções partidárias, cujo prazo termina no próximo fim de semana, não serão argumentos para ausências, garantiu."Aquele que faltar e não estiver de acordo com o regimento, com justificativa, vai ter falta. É inapelável", sentenciou o presidente da Câmara. Ao contrário do Senado, que liberou os parlamentares para festejarem em seus Estados, na Câmara haverá pauta de votação. "Não me cabe subordinar o regimento da Casa à manifestação cultural, que eu respeito. Todos nós pagamos um preço e temos de fazer escolha. Quem considerar que a festa de São João mereça sua presença não se incomodará com a falta."O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), afirmou que, no Recife, houve a troca do feriado de Corpus Christi, quando houve trabalho, pelo dia de São João, comemorado hoje. A festa, no entanto, começou ontem. O deputado conta que o nordestino valoriza muito as festas de São João e, além de ser uma comemoração da família, os festejos exigem a presença do parlamentar. "Os deputados são muito demandados nessa época. Os prefeitos convidam os parlamentares para visitar seus municípios."Assim como Bruno e outros deputados nordestinos, o pernambucano Inocêncio Oliveira (PR) avisou que não voltará para Brasília nesta semana.Na Câmara, na véspera de São João, apenas 38 deputados, dos 513, haviam entrado na Casa entre 7h52 e 17h37. O número é menor que o mínimo de 51 exigido para dar a sessão como realizada. No Anexo IV, onde se situa o maior número de gabinetes, os corredores estavam desde ontem enfeitados com bandeirolas. O deputado que obedecer à orientação de Chinaglia encontrará uma medida provisória e um projeto de lei em regime de urgência do Executivo trancando a pauta.LULADevoto de São João e fã de festa junina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunirá os ministros, no sábado à noite, para mais uma edição do tradicional "Arraiá do Torto". A ordem, como de costume, é não falar de política nem de temas que atazanam a equipe econômica. Se depender da primeira-dama, Marisa Letícia, assuntos como disputas na base, juros, inflação e imposto do cheque ficarão fora do cardápio.Os convites aos ministros para a reunião na Granja do Torto foram distribuídos antes do acidente sofrido pela primeira-dama, que se recupera de uma lesão na clavícula após sofrer uma queda, no Palácio da Alvorada. Auxiliares do presidente, porém, confirmam que a comemoração está mantida porque Marisa passa bem.A festa é organizada pela família Silva todo mês de junho. Há mais de 15 anos, o casal que hoje ocupa o Planalto reúne amigos em torno de uma fogueira. Trata-se de uma promessa feita por Marisa. Pela maior facilidade de organizar festas no sábado, dificilmente o arraiá ocorre no dia exato de São João.Ministros foram orientados a levar quitutes e guloseimas para a festa junina, como bolo de fubá e canjica. Numa noite com previsão de lua cheia, Lula vai se "casar" novamente com Marisa, cumprindo o ritual de todos os anos, após carregar o estandarte com as imagens de São João, São Pedro e Santo Antônio.

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