Andre Dusek/Estadão - 21/11/2012
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Deputado negocia aprovação de novo texto do relatório da CPI do Cachoeira

Odair Cunha resolveu adiar leitura para a próxima quarta-feira e tentar negociar um texto mais palatável

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2012 | 19h13

BRASÍLIA - Dois dias depois de apresentar o relatório final com o pedido de indiciamento e responsabilização criminal de 46 pessoas, o deputado Odair Cunha (PT-MG) recuou nesta quinta-feira, 22, e decidiu negociar a aprovação de um novo texto com as conclusões das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira.

À exceção do PT, o relatório desagradou a todos os partidos da base aliada que ameaçam se unir à oposição e derrubar o parecer de Cunha. Diante da derrota iminente, o relator resolveu adiar a leitura do relatório para a próxima quarta-feira, 28, e tentar até lá negociar um texto mais palatável.

"Vou construir um relatório que seja da maioria da CPI", afirmou Cunha, ao admitir alterações no texto de mais de cinco mil páginas apresentado à comissão de inquérito. Pressionado, o relator estuda retirar a sugestão de indiciamento do jornalista Policarpo Junior, redator-chefe da Revista Veja, e o pedido para que Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) investigue o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

"O governo quis usar a CPI para vinganças, para retaliação. Este relatório foi produzido pela Executiva do PT", afirmou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). "O relatório tem de certa maneira um critério de vingança. Ele não é inteiro assim. Na parte da imprensa e do procurador-geral tem esse critério", corroborou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Para ele, o relator tenta construir uma estratégia de negociação política a fim de vencer as resistências da comissão e aprovar seu relatório, com modificações de pontos críticos do texto. "Ele está tentando fazer maioria com supressões pontuais", observou Teixeira. "Mas esse relatório não pode ser salvo", disse.

Além da onda de reclamações dos aliados e da oposição, Cunha também adiou a leitura do relatório por ter se sentido "abandonado" pela cúpula do PT, que não fez uma defesa veemente de seu texto. Com a transferência da leitura do relatório para a próxima semana, ele espera ganhar tempo até a votação do texto, que deverá ocorrer somente na primeira semana de dezembro. Até lá, ele quer negociar mudanças no parecer que podem representar a retirada ou até a inclusão de pessoas da lista de pedidos de indiciamento.

A oposição e os aliados consideraram uma "vingança" do PT a inclusão do procurador-geral no relatório final e o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior. Gurgel foi o responsável por defender a condenação das principais personalidades petistas envolvidas no escândalo do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino. Além do jornalista da Veja, que fez uma série de matérias contra o PT, Cunha também sugeriu o indiciamento por formação de quadrilha de outros quatro jornalistas de Goiás: Wagner Relâmpago, Patrícia Moraes, João Unes e Carlos Antônio Nogueira.

"Não pode constar na proposta do relator qualquer coisa relativa à Procuradoria Geral da República como se tivéssemos tentando incriminar o procurador-geral", defendeu Miro Teixeira. Ele argumentou ainda que o pedido de convocação de Policarpo Júnior para ir à CPI não foi sequer votado e o jornalista não foi investigado pela comissão de inquérito. "Espero que o bom senso prospere e ocorra retificações no relatório", afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

No relatório, Cunha propõe a responsabilização criminal do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por seis crimes: formação de quadrilha, corrupção passiva, advocacia administrativa, tráfico de influência, falso testemunho e lavagem de dinheiro. Essa tipificação foi considerada um "excesso" até mesmo por aliados. "Ele foi injusto com o Perillo", afirmou um governista, ao avisar que votará contra todo o relatório.

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