Deputado nega encontro com suspeito em gabinete

O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), negou enfaticamente ter recebido o lobista João Pedro de Moura em seu gabinete. Alves afirmou que não conhece o amigo e ex-assessor do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e que não mantém qualquer relação com o colega parlamentar."Eu mal sei quem é Paulinho. Só sei que ele é aquele daquela central sindical, da Força", disse ontem, em entrevista por telefone. "A minha relação com o Paulinho é só como deputado. Eu votei com ele uma vez que ele pediu uma ajuda em uma votação que o tema era sindicato", justificou. Avisado de que na tarde do dia 13 de fevereiro policiais federais filmaram João Pedro deixando seu gabinete, de número 539, com uma mochila, Alves voltou a dizer que nunca ouviu falar no nome do lobista. "Não sei de onde veio, nem pra onde vai", insistiu.Ele argumentou que não poderia tê-lo recebido, pois seu escritório está praticamente abandonado desde que se tornou líder do PMDB, em janeiro de 2007. "Não vou ao meu gabinete há muito tempo. No meu gabinete ficou só meu secretário, mas por ficar, porque não tem mais nada lá", defendeu-se. "Estou sempre na liderança, fico lá direto, sou o líder do PMDB e lá fica sempre o maior tumulto", afirmou.O deputado também negou exercer alguma influência sobre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e disse desconhecer completamente a Operação Santa Tereza, que prendeu na última quinta-feira 10 dos suspeitos de envolvimento em esquema de desvio de financiamento público - entre eles o próprio João Pedro, apontado como pivô do caso.Indagado mais uma vez sobre as imagens do lobista freqüentando seu gabinete, Alves repetiu que não conhece João Pedro, reafirmou não ter ligações com o PDT ou com o BNDES e garantiu não temer eventual investigação envolvendo seu nome."Nunca ouvi falar dessa operação, não tenho a menor idéia do que aconteceu no BNDES, quem foi preso, quem é investigado. E é lógico que eu não tenho medo, não tenho nada com isso", prosseguiu Alves."Não posso nem lhe ajudar porque não conheço essa Operação BNDES (Santa Tereza). Sinto muito não poder lhe ajudar", concluiu o parlamentar.

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