Deputado mineiro obtém apoio de 8 dos 10 maiores doadores

Tanto na Assembleia em Minas como na Câmara, Luiz Fernando Faria atuou em comissões de interesse de empreiteiras

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2014 | 02h00

Reconduzido ao terceiro mandato em Brasília com 117.542 votos, o deputado Luiz Fernando Faria (PP) foi o 22.º colocado entre os 53 parlamentares eleitos por Minas Gerais. Mas nenhum de seus colegas de bancada, nem de Câmara, conseguiram tal feito: ele recebeu doações de 8 das 10 empresas que mais financiaram as campanhas de 2014.

A trajetória política de Faria dá algumas pistas para entender tamanha eficiência para arrecadar recursos de campanha - o deputado não atendeu as ligações do Estado, assim como os integrantes da executiva do PP mineiro, e o celular dele não tem caixa postal.

Antes de ser deputado federal, Faria atuou na Assembleia Legislativa de Minas como membro de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que tinha como objetivo "apurar a instalação e exploração de garimpos nos rios do território do Estado de Minas Gerais e seus efeitos devastadores e corruptores". A investigação, realizada em 1997, tinha como alvos principalmente pequenos empreendimentos mineradores.

Três anos depois, Faria presidiu, também na Assembleia, a CPI das Construtoras. Neste caso, os parlamentares apuraram que havia "favorecimento nos pagamentos feitos" às empresas do setor que mantinham contratos com o governo do Estado em 1998, período em que Minas era governada por Eduardo Azeredo (PSDB). A comissão constatou que apenas em dezembro o Executivo desembolsou valores bem maiores às construtoras do que pagou, por exemplo, ao funcionalismo, que teve até o 13.º salário atrasado. O relatório da CPI não cita nenhuma empresa nominalmente.

Eleito deputado federal pela primeira vez em 2006, Faria conseguiu dois anos depois o cargo de presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara. Em 2011, reeleito pela primeira vez, reassumiria esse posto. No atual mandato, como ele próprio destaca em seu site pessoal, "ganhou destaque por ter sido o único mineiro indicado como relator dos quatros projetos sobre o marco regulatório do pré-sal". Depois, passou a presidir outra comissão, a do Trabalho, Administração e Serviço Público.

Em 2013, Faria assumiu a função mais diretamente ligada a finanças, que ele classifica como "honraria": a tesouraria da Fundação Milton Campos, centro de formação e estudos do PP.

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