Deputado maranhense em greve de fome recebe apoio de agricultores em Brasília

Domingos Dutra faz greve de fome pelo sexto dia, em represália à decisão do PT nacional de obrigar o diretório do Maranhão a apoiar Roseana Sarney

Carol Pires / BRASÍLIA - Estadão.com.br

17 de junho de 2010 | 17h03

Cerca de 200 pessoas ligadas à agricultura familiar visitaram Domingos Dutra (PT-MA), nesta quinta-feira, 17, no Congresso Nacional, onde o deputado federal faz greve de fome pelo sexto dia, em represália à decisão do PT nacional de obrigar o diretório regional do partido a apoiar a candidatura de Roseana Sarney, do PMDB, ao governo do Maranhão. Os manifestantes são ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) de Minas Gerais, Maranhão e Rio de Janeiro, e foram levados ao encontro de Dutra pelo vereador Jorge Augusto Xavier, de Buritis (MG).

 

Domingos Dutra anunciou que o advogado dele entrará na Justiça Eleitoral até a sexta-feira, 18, pedindo a anulação da intervenção do PT nacional no PT do Maranhão. O diretório havia aprovado por maioria de votos, há um mês, o apoio do partido à candidatura do deputado federal Flávio Dino, do PCdoB, ao governo. No entanto, o PT nacional interveio, anulou a votação, e anunciou apoio a Roseana Sarney.

 

Domingos Dutra começou a negociar, esta semana, com integrantes do PT uma solução para o impasse. Ele exigia que o partido permitisse que os dissidentes fizessem propaganda para Flávio Dino, inclusive usando o espaço do programa eleitoral gratuito na TV e no Rádio. A proposta, no entanto, foi vetada pelo partido e não é mais considerada por Dutra.

 

“Esses pontos não nos dão garantia de nada. Iríamos legitimar a intervenção e ficaríamos clandestino, fazendo propaganda escondidos, à mercê da Justiça, de questionamentos de algum partido na Justiça”, explicou. Na Justiça, Dutra tentará reverter a decisão da cúpula nacional do partido, mas ainda admite discutir com o partido outra opção. Seria o PT ficar neutro no Maranhão – não apoiar nem Roseana nem Flávio Dino.

 

“Ao apoiar Roseana o PT vai abrir mão de todas as suas bandeiras. Nascemos para defender a reforma agrária, e a Roseana é a madrinha dos latifundiários. Nascemos para defender a transparência, e eles são o governo da corrupção”, critica o deputado.

 

Fundador volta à greve

 

Com 75 anos e diabético, Manoel da Conceição Santos, um dos fundadores do PT, voltou no início da tarde desta quinta a se juntar a Dutra na greve de fome. Ele havia interrompido o protesto, na noite de quarta-feira após passar mais de oito horas no serviço médico. Conceição tem diabetes e já foi duas vezes vítima de acidente vascular cerebral. Ele perdeu cerca de dois quilos desde que começou o protesto. 

 

Manoel da Conceição Santos enviou nesta quinta uma carta ao presidente Lula explicando que defende a eleição de Dilma Rousseff à presidência da República, mas que não pode aceitar a intervenção do partido no Maranhão. “O que está sendo imposto a nós petistas do Maranhão extrapola todos os limites da tolerância e fere de morte a nossa honra e a nossa história”, relata Santos, que conta ter perdido uma perna ao levar um tiro de fuzil da polícia militar durante o governo de Sarney no Estado.

 

"Eu sei do malabarismo que o companheiro presidente tem precisado fazer para garantir alguma condição de governabilidade, porém, sei do alto custo que é cobrado por esses apoios conjunturais, e que nosso governo vem pagando a todos esses ônus. Companheiro, tudo precisa ter um limite e tal limite é  nossa dignidade", completa.

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