Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Deputado Federal da Paraíba é alvo de operação da PF

Operação Pés de Barro investiga organização criminosa dedicada à realização de pagamentos ilícitos e superfaturamentos de obras da “Adutora Capivara”

Lorenna Rodrigues e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 09h47
Atualizado 21 de dezembro de 2019 | 13h22

BRASÍLIA - A Polícia Federal faz na manhã deste sábado, 21, operação de busca e apreensão no  gabinete do deputado federal José Wilson Santiago (PTB-PB), segundo apurou o Estadão/Broadcast. O deputado foi afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Também foram afastados do cargo o prefeito de Uiraúna (PB), João Bosco Nonato Fernandes, quatro assessores do deputado federal e um funcionário da prefeitura, que também estão sob investigação. Um empresário também está entre os investigados. 

A busca no Congresso Nacional faz parte da operação “Pés de Barro”,  que busca desarticular uma organização criminosa suspeita de superfaturamentos e pagamentos de propinas em obras no sertão da Paraíba.

Segundo a PF, a operação cumpre 13 mandados de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados, quatro mandados de prisão preventiva e sete ordens de afastamento de funções públicas em Brasília (DF), João Pessoa (PB), Uiraúna (PB) e São João do Rio do Peixe (PB).

As ordens de busca e apreensão, prisão preventiva e suspensão do exercício de funções públicas foram expedidas pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que Santiago tem foro privilegiado por ser parlamentar.

Os investigados responderão por crime de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de organização criminosa, com penas que somam 20 anos de prisão.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apuram irregularidades na construção da “Adutora Capivara”, um sistema de R$ 24,8 milhões no sertão da Paraíba. Segundo as investigações, foram distribuídas propinas de R$ 1,2 milhão.

O inquérito policial federal foi baseado em proposta de colaboração premiada, apresentada pela Polícia Federal e acolhida pelo STF.

O advogado de Santiago, Luís Henrique Machado, acompanha as buscas no gabinete e confirmou o afastamento do parlamentar, por prazo indeterminado. “O deputado Wilson Santiago recebe com respeito e acatamento a decisão do Ministro Celso de Mello. Está absolutamente tranquilo e demonstrará, em momento oportuno, a inexistência de qualquer relação com os fatos investigados”, afirmou. Também foi determinada a indisponibilidade de imóveis em nome dos investigados.

O deputado Wilson Santiago (PTB-PB) está em seu terceiro mandato na Câmara e também já foi senador. O parlamentar inicou a carreira política como deputado estadual: o primeiro mandato, pelo PDT, foi de 1995 a 1999, o segundo, pelo PSDB, de 1999 a 2003. Foi posteriormente eleito deputado federal pelo PMDB duas vezes, em 2002 e 2006, quando foi líder da bancada do PMDB na Câmara.

Na atual legislatura, relatou duas propostas. A primeira que dava isenção tributária à comercialização de GLP para uso doméstico e a outra que regularizou o pagamento de dirigentes com recursos do fundo partidário.

Segundo a PF, o nome da operação é uma alusão a termo bíblico que identifica “falsos valores políticos, ou seja, os líderes carentes de méritos intrínsecos”.

“Nabucodonosor, antigo rei da Babilônia, teve um sonho interpretado pelo profeta Daniel no qual uma grande estátua de ouro, cobre e prata desmoronara por ter os pés de barro. O termo “pés de barro”, então, passou a designar as riquezas cuja base não se sustenta do ponto de vista moral”, explicou a organização, em nota.

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