Deputado estadual tenta fugir da pecha de candidato radical

Deputado estadual tenta fugir da pecha de candidato radical

Com campanha marcada pelo apoio dos eleitores mais jovens, Marcelo Freixo (PSOL) reclama de boatos espalhados pelo rival

Roberta Pennafort Wilson Tosta / RIO, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 22h15

Quando ouve de adversários que não defenderia direitos humanos se alguém de sua família fosse vítima de um crime violento, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) geralmente recorda o caso de seu irmão. Renato Freixo foi morto a tiros em 2006, em um crime atribuído a um grupo de segurança privada ilegal que atuava no condomínio em que morava, em Niterói, em 2006.

“Não dá para comparar a minha campanha e a do (candidato do PRB) Crivella e achar que é igual”, disse. “Há uma marca de diferença. Minhas críticas a Crivella estão no campo da política: dizer que ele está com Garotinho, que esconde alianças, falar do livro dele. É grave alguém que manifesta intolerância, que diz que outra religião é diabólica. Isso define um perfil. Não é acusação falsa. Não é ir para o WhatsApp e dizer que eu vou acabar com a PM, liberar droga, o que não tem o menor cabimento”, declara, lembrando as acusações que sofreu.

Marcelo Ribeiro Freixo nasceu em São Gonçalo, município da Grande Rio, em 1967, e foi criado no Fonseca, bairro periférico de Niterói, cidade vizinha, numa família de classe média baixa de três filhos homens. Flamenguista ferrenho, fã de Zico, cresceu peladeiro.

Professor de História, Freixo é casado com a dentista e pesquisadora da área de saúde Priscilla. Tem dois filhos: João Pedro, de 26 anos, e Isadora, de 18, e vive em um apartamento alugado no bairro da Glória, na zona sul do Rio. Tenta pela segunda vez chegar à prefeitura: em 2012, foi derrotado já no primeiro turno pelo atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB).

Enquanto estudava História na Universidade Federal Fluminense, passou a dar aula como estagiário não remunerado para detentos do presídio Edgard Costa, em Niterói. Foi professor do ensino médio, atuando como sindicalista, e pesquisador da ONG Justiça Global, cuja bandeira é a promoção dos direitos humanos. Por contar com a confiança de presos, negociou o fim de rebeliões em penitenciárias.

Freixo entrou na política como assessor do deputado Chico Pinheiro, do PT, na Assembleia Legislativa do Rio, em 1998. Foi filiado ao partido até 2005, quando se transferiu para o recém-criado PSOL. Eleito em 2006 pela primeira vez, coordenou a Comissão de Direitos Humanos, denunciando as más condições das cadeias.

Ameaças. Tornou-se conhecido em 2008, na condição de criador e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, que levou ao indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas, deputados e vereadores. A notoriedade lhe rendeu inúmeros planos de seu assassinato e uma segurança armada permanente a seu lado.

No primeiro turno, com somente 11 segundos de TV, conquistou 553.454 votos, deixando para trás o candidato apoiado pelo prefeito Eduardo Paes, Pedro Paulo (PMDB). Driblou a pouca exposição televisiva apoiando-se numa militância jovem, num manejo eficiente das redes sociais, no endosso de artistas, como os compositores Chico Buarque e Caetano Veloso e o ator Wagner Moura, e na capacidade de angariar doações. Com cerca de 9.800 doadores no primeiro turno, superou R$ 1 milhão, o que fez do financiamento coletivo de sua campanha o mais vultoso já registrado no País.

Com mais tempo no segundo turno, ele tentou se descolar da pecha de “radical” que seu oponente, Marcelo Crivella (PRB), repetiu na TV.

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