Reprodução/Jovem Pan News
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Deputado estadual Campos Machado exonera servidor após declarações antissemitas

Comentarista da Jovem Pan José Carlos Bernardi foi demitido após sugerir ‘matar um monte de judeus’ para o Brasil enriquecer

Gustavo Queiroz, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 22h08
Atualizado 18 de novembro de 2021 | 15h24

O deputado estadual Campos Machado (Avante-SP) exonerou o assessor José Carlos Bernardi, após o jornalista sugerir que “matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico” seria uma das formas do Brasil enriquecer. As declarações de cunho antissemita de Bernardi foram feitas durante o programa Jornal da Manhã da Jovem Pan News.

“Sempre respeitei o direito de opinião de qualquer cidadão, inclusive meus funcionários. Mas não poderia deixar de repudiar o infeliz comentário do meu assessor, jornalista José Carlos Bernardi, ofensivo a toda comunidade judaica, que muito respeito e admiro”, escreveu Machado em sua conta pessoal no Twitter, ao lembrar que é autor de uma lei estadual que estabelece o Dia da Lembrança do Holocausto.

“Assim, não me coube outra decisão que não a de exonerar, hoje mesmo, o referido funcionário de meu gabinete”, concluiu. 

As declarações de Bernardi motivaram o Ministério Público de São Paulo a instaurar um procedimento para apurar eventual "crime de ódio por intermédio de meios de comunicação". Na portaria que instaura o procedimento, a promotora de Justiça Maria Fernanda Balsalobre Pinto, do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), deu um prazo de três dias para a Jovem Pan disponibilizar a íntegra do programa ao Gecradi.

Na ocasião, Bernardi discutia com a comentarista do programa Amanda Klein sobre a recepção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à França, em comparação à participação do presidente Jair Bolsonaro em eventos internacionais, como a última cúpula do G-20. 

Quando Amanda Klein defendeu o desenvolvimento econômico alemão, Bernardi criticou o país europeu dizendo que “é só assaltar todos os judeus que a gente consegue chegar lá”. Sugeriu ainda que a morte e apropriação do poder econômico da população judaica seria caminho para enriquecimento do Brasil, por ter sido assim que a Alemanha fez após a Segunda Guerra Mundial.

“Não dá para você defender isso. Essas ideias são ultrajantes, reacionárias e erradas e equivocadas”, respondeu a apresentadora

No Twitter, Bernardi se apresenta como “cristão, jornalista e empreendedor social”. Ele usou a conta pessoal na plataforma para dizer que é defensor do Brasil soberano e “seguidor dos valores judaico cristãos”. “Não vão conseguir calar minha voz conservadora e de direita. As narrativas são desmontadas uma a uma com a mais pura verdade. Convoco minha Audiência para amplificar e manter a luta contra o mal ativa”, concluiu.

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