Deputado espera veredicto para decidir se troca prossegue

No caso de Supremo liberar mudanças, só o DEM pode perder mais sete parlamentares até quinta-feira

Brasília, O Estadao de S.Paulo

01 de outubro de 2007 | 00h00

Deputados esperam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira para decidirem se intensificam ou não o troca-troca partidário nesta semana. Dependendo da decisão do STF, o DEM, um dos partidos que mais vêm tendo baixa em seus quadros, poderá perder mais sete deputados até quinta, quando termina o prazo de mudança de partido para o parlamentar que quer disputar as eleições municipais de 2008.O DEM e o PPS foram os partidos que mais sofreram com a infidelidade partidária desde o início do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PPS, aliado de primeira hora de Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições de 2006, perdeu 41% de sua bancada para os partidos governistas. Foram nove deputados que deixaram a legenda rumo ao PR ou ao PMDB."A corrupção é um crime de mão dupla. O presidente Lula corrompe e, infelizmente, parlamentares sem firmeza de caráter se deixam corromper. Isso virou regra no País", avaliou o presidente do PPS, Roberto Freire. Ele lembra que há deputados que declaram publicamente que estão aderindo ao governo porque terão as emendas orçamentárias liberadas. Os parlamentares indicam, por meio de emendas, recursos para suas bases eleitorais e esperam a liberação do dinheiro pelo Executivo, o que acaba virando uma moeda de troca no apoio ao governo. O DEM tem perdido posições desde o primeiro mandato do presidente Lula.Na eleição de 2002 foram 84 deputados eleitos. Na posse, em 2003, esse número já caia para 76 deputados. Nas eleições de 2006, o DEM elegeu 65 deputados, mas, a bancada foi reduzida para 59 membros.Foi esta debandada que levou o DEM a protocolar a consulta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que está gerando toda a polêmica sobre fidelidade partidária. O partido queria estancar a sangria com a garantia de que poderia ter de volta todas as vagas abertas pelos infiéis. O Supremo julga a questão nessa quarta-feira e, dependendo do resultado, poderá promover um desfalque maior na bancada.Segundo informou um dirigente do DEM, pelo menos sete deputados da sigla deverão migrar para partidos da base, caso o Supremo decida por liberar o troca-troca, não entendendo que os mandatos pertencem aos partidos e não aos eleitos. São deputados do Piauí, de Minas Gerais, do Maranhão e da Bahia, além do deputado Bispo Rodovalho (DF), que já está se transferindo para o PR.O líder do DEM, Onyx Lorenzoni (RS), reconhece que o partido sofrerá perdas, mas estima em quatro deputados, no máximo."Não temos dúvida de que houve uma ação, e continua havendo, orquestrada do governo na tentativa de reduzir o DEM. O governo entende que, dessa forma, enfraqueceria a oposição que o partido faz", avaliou Lorenzoni. Ele considera que há uma cultura política equivocada no País, da qual o governo se vale para cooptar parlamentares, de que o bom é ser deputado da base governista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.