Deputado do RS exonera 17 pessoas 'com vícios na política e órgãos públicos'

Parlamentar Mário Jardel, que é ex-atacante do Grêmio, demitiu a maior parte dos 21 membros de sua equipe de gabinete

GABRIELA LARA, CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2015 | 18h13

Porto Alegre - Pouco mais de dois meses depois de ter assumido uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o ex-atacante do Grêmio Mário Jardel (PSD) provocou polêmica ao exonerar 17 dos 21 servidores que atuavam com cargo de confiança em sua equipe. Jardel não foi encontrado para comentar o assunto, que tem sido tratado por Cristian Lima, novo chefe de gabinete do parlamentar, empossado nesta segunda-feira. De acordo com ele, o ex-jogador se afastou temporariamente do cargo por causa de uma depressão e volta ao trabalho no próximo dia 10.

Lima alega que Jardel decidiu demitir os colaboradores porque não tinha ingerência sobre eles, já que a maior parte teria sido indicada pelo partido, e não pelo próprio deputado. O chefe de gabinete classificou os demitidos como "pessoas com vícios na política e órgãos públicos", que estariam tomando atitudes sem consultar o parlamentar. Ainda conforme Lima, o ex-atacante não concordava com o tipo de administração promovida pelos servidores. "Ele era coagido e ameaçado física e moralmente por essas pessoas", disse. "Foi feita a limpeza. É a hora da mudança."

O chefe de gabinete afirmou que Jardel tirou licença médica por causa de uma depressão causada pela situação envolvendo os antigos membros de seu staff. Segundo Lima, o deputado retomará sua rotina na Assembleia Legislativa na próxima sexta-feira, já na companhia da nova equipe.

Consultada, a assessoria de imprensa da Assembleia informou que a Casa ainda não foi notificada sobre o pedido de licença do deputado. "Amanhã há reunião da mesa diretora e é possível que o gabinete dele (de Jardel) apresente alguma coisa. Hoje, oficialmente, a Assembleia desconhece esta situação de afastamento", afirmou um assessor.

Rompimento. O episódio respingou na relação entre dois ídolos do Grêmio. Após vir à tona a notícia da exoneração dos servidores, o ex-goleiro Danrlei, que é deputado federal e vice-presidente estadual do PSD - e foi um dos incentivadores da carreira política de Jardel no partido - divulgou uma nota à imprensa criticando a atitude do antigo companheiro de clube. No texto, Danrlei declara o rompimento político e pessoal com Jardel, eleito para a Assembleia gaúcha com 41.227 votos em 2014.

"Lamento que eu me obrigue, por dever de lealdade e compromisso político com os milhares de gaúchos que elegeram não apenas Jardel mas também a mim, a romper publicamente com este a quem confiei minhas mais profundas e sinceras expectativas", escreveu. "Alguém que logo no início de uma longa jornada, a de um mandato parlamentar, falha em princípios éticos como lealdade, confiança e consideração. Não quero relacionar-me publicamente com quem conduz seu mandato e sua vida da maneira como meu ex-colega demonstrou que vai conduzir."

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