Deputado do PT é indiciado pela PF na Operação Taturana

Paulão vai responder por formação de quadrilhae peculato; esquema descobriu desvios na Assembléia de Alagoas

22 de abril de 2008 | 19h51

O deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), prestou depoimento nesta terça-feira, 22, à tarde na Polícia Federal e foi indiciado no inquérito da Operação Taturana, que apura o desvio de R$ 280 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. Paulão vai responder por formação de quadrilha, peculato e crime contra o sistema financeiro. Ele é acusado de ter contraído empréstimos no Banco Rural, que somam R$ 224 mil, usando a verba de gabinete como garantia e o aval do legislativo alagoano.  Ao chegar à sede da PF, no bairro de Jaraguá, o deputado do PT confirmou que pregou empréstimos, mas garantiu que pagou com o seu dinheiro e não com a verba de gabinete da Assembléia. Paulão estava acompanhado dos advogados Mirabel Alves e Fernando Falcão. O deputado foi ouvido pelo delegado Janderlyer Gomes, que preside o inquérito da Operação Taturana. Apesar de ter explicado que o empréstimo que contraiu em meados de 2005 foi com base legal, Paulão foi indiciado.  Antes de prestar depoimento, o petista conversou com os jornalistas, na porta da PF. "Venho colaborar com o trabalho da Polícia Federal, baseado na verdade", destacou Paulão, "Meu patrimônio é lícito, sem laranjas e com dívidas. Tirei um empréstimo, no valor de R$ 30 mil, para pagar dívidas referentes ao cheque especial e renovei esse empréstimo algumas vezes. Não foram vários empréstimos, nem um somatório, mas uma renovação da dívida".  Paulão disse ainda que iria pedir à PF a quebra de seus sigilos bancário, patrimonial, telefônico e fiscal. "Vou pedir ainda o aprofundamento das investigações na Assembléia e que a PF investigue também outros poderes", informou o petista, acrescentando que entregaria ao delegado todos os documentos necessários para os primeiros esclarecimentos, como extratos bancários e declarações de verbas de gabinete.  Para Paulão, as denúncias contra ele - feitas também por meio de documentos anônimos - teriam partido dos deputados indiciados na Operação Taturana. "Desde 1999 fui o primeiro deputado a discutir a falta de transparência na Casa e sempre os deputados incomodados quiseram minha cassação", afirmou. Sobre a possibilidade de ser indiciado após seu depoimento, Paulão disse que está preparado para tudo. Depoimento do prefeito O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), também foi intimado para prestar depoimento à Polícia Federal, no inquérito da Operação Taturana. O depoimento dele está marcado para amanhã, quarta-feira, às 15 horas, na sede da PF, em Jaraguá. Almeida vai explicar ao delegado Janderlyer Gomes detalhes do empréstimo de R$ 120 mil que fez no Banco Rural, com aval da Assmbléia e pago com verba de gabinete.  Em entrevista à imprensa, Almeida disse que fez o empréstimo quando era deputado em 2003, mas o dinheiro teria sido repassado ao então deputado estadual e hoje deputado federal Francisco Tenório (PMN), para montar uma fábrica de derivados de leite. Tenório ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas seu nome consta entre os denunciados pelo Ministério Público Estadual, acusados de ter contraído empréstimos irregulares.  O deputado estadual Marcos Barbosa (PPS), a ex-deputada estadual Maria José Viana e o ex-presidente do Sindicato dos Servidores da Assembléia Legislativa de Alagoas, Aroldo Loureiro, também foram intimados para prestar depoimento à Polícia Federal, no inquérito da Operação Taturana. A exemplo do prefeito e do deputado Paulão, eles também são acusados de terem se beneficiados de empréstimos bancários, realizados com o aval do legislativo alagoano.

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