Márcio Alves/Agência O Globo - 17.10.2014
Márcio Alves/Agência O Globo - 17.10.2014

Deputado do PSOL e filiado à linha dura

Cabo Daciolo defende militar no Ministério da Defesa e diz que vivemos 'falsa democracia'

WILSON TOSTA, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2015 | 02h04

RIO - A menos de três meses do aniversário de três décadas do fim dos governos militares e 15 anos e meio após a criação do Ministério da Defesa sob comando civil, o deputado federal eleito Cabo Daciolo (PSOL-RJ) quer os militares de volta à chefia do setor. O futuro parlamentar, que é bombeiro, pede em vídeo no Facebook que um oficial-general seja nomeado chefe da pasta. "Não sou a favor da ditadura. Também não sou a favor da falsa democracia que estamos vivendo", declara o deputado eleito na gravação, postada em 15 de dezembro, quando Celso Amorim ainda era o titular da pasta, e não o recém-empossado Jaques Wagner. "Hoje nós temos o Ministério da Defesa, e o Celso Amorim é o ministro. E particularmente acho inadmissível que não seja um oficial-general no último grau da hierarquia das Forças Armadas, podendo ser do Exército, da Marinha e da Aeronáutica." O vídeo, que até a tarde de ontem tinha 76 mil visualizações, foi retirado de um dos três perfis de Daciolo no Facebook, no início da noite.

O cabo foi um dos líderes da greve de bombeiros de 2011. Quatorze bombeiros, entre eles o cabo, foram expulsos. Depois, foram anistiados pelo Estado e pelo governo federal. O PSOL apoiou o movimento e deu legenda a Daciolo em 2014. Ele teve 49.831 votos, apesar de ter sido excluído, com outros candidatos, da propaganda da TV. A direção do PSOL-RJ alegou que, por ter pouco tempo, deveria priorizar candidatos com mais potencial de votos. O deputado teve muitos votos entre PMs de baixa patente, por sua defesa da PEC 300, proposta que vincula salários de bombeiros e policiais militares de todos os Estados ao da Polícia Militar do Distrito Federal, os mais altos do País.

Catarinense de Florianópolis, Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, de 38 anos, declarou à Justiça como único bem um automóvel avaliado em R$ 40 mil. Na diplomação, apesar de ter participado de um protesto contra o deputado federal e capitão da reserva Jair Bolsonaro (PP-RJ), um arquirrival do PSOL, posou para fotos com o futuro colega de Câmara.

Nos últimos dois dias, a reportagem tentou entrevistar Daciolo, mas ele não atendeu a nenhuma das 13 ligações para seu celular.

Oficialmente, o partido alega ter outras prioridades políticas, antes da Defesa. "Não acho que isso (o Ministério da Defesa ser chefiado por um civil ou militar) seja relevante. Foi uma manifestação individual do deputado", disse o presidente nacional da sigla, Luiz Araújo. "Existem civis reacionários e existem militares progressistas e vice-versa. Foi no governo de um civil que mandamos tropas ao Haiti, foi num governo civil que não investigamos nada da ditadura."

Daciolo também já demonstrou fervor religioso ao dizer que seu mandato era de Deus, o que foi relacionado pelo colega da sigla, Jean Wyllys (RJ), em entrevista à revista Carta Capital, a um comportamento que beira o "fundamentalismo religioso".


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