Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Deputado do PSL arranca cartaz sobre exposição contra o racismo na Câmara

Coronel Tadeu destrói cartaz e provoca troca de acusações na Casa; Maia pediu diálogo e ‘não agressão’

Fabrício de Castro, Renato Onofre e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 18h22
Atualizado 20 de novembro de 2019 | 11h13

BRASÍLIA – Uma exposição sobre racismo no Brasil foi pivô de discussões e acusações, nesta terça-feira, 19, na Câmara dos Deputados, véspera do Dia da Consciência Negra

O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) arrancou da parede, rasgou e pisou em uma imagem do cartunista Carlos Latuff, em que aparecia um policial, com uma arma fumegante na mão, e um rapaz negro estendido no chão, algemado e com a camisa do Brasil. No cartaz, lia-se a frase “o genocídio da população negra”. 

“Policiais não são assassinos. Policiais são guardiões da sociedade, sinto orgulho de ter 600 mil profissionais trabalhando pela segurança de 240 milhões de brasileiros”, escreveu Coronel Tadeu no Twitter.

Houve bate-boca na saída da exposição e gritos de “racista” em direção a Tadeu e a discussão dominou os discursos do plenário. 

“Ele arrancou tudo, destruiu tudo e cometeu o crime de racismo e quebra de decoro”, afirmou a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ) ainda na exposição. Jandira e a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) prometeram levar o caso ao Conselho de Ética da Câmara. A bancada do PSOL também prometeu acionar o conselho.

No plenário, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) questionou o debate sobre genocídio negro. “Não venha atribuir à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro as mortes porque um negrozinho bandidinho tem que ser perdoado”, afirmou. “Alguns vão à mídia para falar que acham que o negro morre, porque ele é negro. Ele morre, porque sustenta um fuzil”, disse.

A oposição criticou Coronel Tadeu. “A violência de rasgar uma placa de uma exposição dentro do Congresso é compatível com a violência que se vê nas periferias e favelas por parte do Estado”, afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) classificou a atitude como “inaceitável”. “É desonroso para esta Casa que um deputado federal não tenha tolerância, não respeite a história dos negros no Brasil, não perceba a gravidade do genocídio praticado nessa sociedade contra a juventude negra e pobre da periferia do Brasil”, disse.

Desde o início do dia, a imagem arrancada por Tadeu vinha causando desconforto aos deputados da chamada “bancada da bala”. Mais cedo, o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) já havia encaminhado ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pedido para que o cartaz fosse retirado da exposição.

Após a retirada do carta, Maia diálogo para resolver as divergências entre os parlamentares. “Não é um dia que marca de forma positiva a nossa Casa. Não agredir um cartaz que pode, inclusive, ser injusto com parte da polícia, mas isso nós deveríamos ter resolvido com diálogo, não com agressão”.

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