Câmara dos Deputados
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Deputado do PP, Nelson Meurer vira o segundo réu na Lava Jato no STF

Por unanimidade, os ministros da Segunda Turma do STF seguiram o voto de Teori Zavascki, relator da operação, que reconheceu haver 'indícios suficientes' de que Nelson e seus dois filhos cometeram crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2016 | 18h50

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal aceitou, nesta terça-feira, 21, a segunda denúncia contra um parlamentar no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. O deputado Nelson Meurer (PP-PR) e seus dois filhos, Nelson Meurer Júnior e Cristiano Augusto Meurer, foram transformados em réus pela Segunda Turma da Corte.

Por unanimidade, os ministros da Segunda Turma do STF seguiram o voto de Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte. Teori reconheceu haver "indícios suficientes e concretos" de que o trio cometeu crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por receber e ocultar valores ilícitos desviados da Petrobrás. 

"Há indícios concretos do recebimento de valores por parte do deputado Nelson Meurer pela particular movimentação financeira detalhada no relatório (da Procuradoria-Geral da República). A peça acusatória descreve os eventos e atribui a autoria de forma muito clara", afirmou Teori durante o julgamento.  

Na denúncia, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o deputado fazia parte do esquema montado pelo PP para se beneficiar do esquema de corrupção da Petrobrás. O grupo teria desviado R$ 357,9 milhões dos cofres da estatal, dos quais R$ 29 milhões teriam ficado com o parlamentar.

De acordo com a delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa, o acordo com o PP oferecia a ele apoio político para se manter no cargo em troca de repasses substanciosos à cúpula da legenda. Os repasses eram feitos por meio do doleiro Alberto Youssef, apontado como um dos operadores da legenda do esquema. 

Segundo a PGR, foram 161 atos de corrupção em favor do partido, políticos, agentes públicos e operadores de propina, segundo a acusação formal. No caso de Meurer, pelo menos duas doações oficiais, no valor total de R$ 500 mil, foram propina desviada da Petrobrás, conforme Janot, que pediu a perda do mandato do deputado. 

A defesa de Meurer sustentou que não havia provas contra a participação do parlamentar no esquema de corrupção e que havia a "presunção" de culpa porque o deputado foi líder do PP na Câmara durante um curto período em 2011 e teria proximidade com integrantes do partido já condenados no processo do mensalão.

Até agora, o único parlamentar réu na Lava Jato no Supremo é o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nesta quarta-feira, 22, o plenário do Tribunal vai avaliar a segunda denúncia contra o peemedebista, sobre as supostas contas que mantinha na Suíça.

Capitalismo de Estado. O ministro Gilmar Mendes alegou que o esquema de corrupção investigado na Petrobrás reforça a tese de que o Brasil criou um sistema de "capitalismo de Estado", em que o partidos políticos se tornam os verdadeiros donos, ou pelo menos sócios, das empresas estatais. 

"Quando se pensa que o partido que apoia dado diretor, passa a ter direito a um porcentual de propina, isso se traduz exatamente que o partido é um pouco dono dessa empresa, ou pelo menos sócio. Discute-se a quem elas pertencem? A nós, cara pálida? Não. Aos partidos, aos sindicatos, ou seja lá quem quer que se beneficie disso", criticou. 

Atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro fez uma espécie de mea-culpa e disse que a Corte passa por "uma situação vexatória" por ter dificuldade de distinguir doação legal de recursos oriundos de propina. "Tudo indica que nós criamos de novo um modelo institucional perverso e malévolo, nossa feição tupiniquim desse capitalismo resultante da fusão entre partido e Estado". 

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