Deputado do PP é suspeito de ter recebido R$ 100 mil de corretora

A CPI dos Correios tem um novo suspeito de ser beneficiário do esquema do mensalão: o deputado Nilton Baiano (PP-ES). A Revista Veja desta semana mostra que investigadores da comissão descobriram depósitos de R$ 100 mil, em dinheiro, em nome do jornalista Renato Paolielo, assessor da campanha de Baiano.A origem do dinheiro, conforme antecipou reportagem do Estado no meio da semana passada, seria uma corretora de valores que operou com fundos de pensão de estatais. Na mesma época do pagamento a Paoleilo, por exemplo, a Euro, autora do depósito, causou um prejuízo de R$ 8 milhões ao Nucleos, o fundo de pensão dos empregados das empresas nucleares federais.Por meio de um assessor, Baiano disse que desconhece a denúncia e que Renato, flagrado recebendo o dinheiro, é que deve dar explicações. O jornalista, conforme o parlamentar, alega ter recebido os R$ 100 mil por serviços legítimos prestados à corretora, mas teria esquecido de declarar a quantia ao Imposto de Renda.A CPI, em seus momentos finais, dedica-se, agora, a investigar se fundos de pensão de estatais podem ter financiado o mensalão. A linha de investigação mira nos assessores dos parlamentares. O cruzamento dos dados está sendo feita pela empresa de auditoria Ernest & Young, contratada pela CPI. Levantamento preliminar aponta a existência de mais dez parlamentares suspeitos, elevando para 28 o total de envolvidos no mensalão, conforme noticiou o Estado esta semana.A Euro, assim como outras corretoras suspeitas, comprava títulos do Tesouro Nacional a preço baixo e os revendia imediatamente aos fundos com boa margem de lucro. Esse lucro seria, então, repartido entre os mensaleiros. Na primeira sessão após o feriado do carnaval, a CPI vai decidir o que fazer com estes últimos passageiros alojados no vagão do mensalão.De acordo com o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), o relatório final vai registrar todas as irregularidades apuradas. "Até agora o cruzamento indicou os nomes de assessores de parlamentares, mas nada que indique irregularidades nas transações", disse.

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