Agência Câmara
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Deputado do PP alvo da PF é conhecido por atuação de bastidores e era aliado de Cunha

Da Fonte já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo menos duas vezes

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2018 | 10h16

BRASÍLIA - Alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira, 24, o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) é conhecido no Congresso Nacional por sua atuação nos bastidores. No terceiro mandato parlamentar consecutivo, ele ganhou influência no cenário político em 2015, após assumir a liderança do PP na Câmara com a ajuda do então presidente da Casa recém-eleito Eduardo Cunha (MDB-RJ), de quem era aliado.

Da Fonte já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo menos duas vezes. Em agosto de 2016, o então procurador-geral Rodrigo Janot denunciou o deputado pernambucano ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto recebimento de propina para beneficiar a empreiteira UTC em obras da Coquepar, empresa que seria construída no Paraná para processamento de coque de petróleo.

A denúncia foi apresentada no âmbito da Operação Lava Jato e era pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ela teve como base a delação premiada do dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa. Na colaboração premiada, o empreiteiro afirmou ter desembolsado R$ 300 mil para que a empresa fosse escolhida para obras jamais efetivadas. A denúncia ainda não foi analisado pelo Supremo.

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Eduardo da Fonte também havia sido denunciado em um outro inquérito da Lava Jato, mas a Segunda Turma do STF rejeitou essa denúncia em dezembro do ano passado. A acusação era a de que o ex-líder do PP na Câmara teria agido para atrapalhar as investigações da CPI da Petrobras no Senado, em 2009, ao intermediar o pagamento de propina de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2014.

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Durante a votação do impeachment da hoje ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado do PP chegou a negociar voto a favor da petista em troca de cargos no governo federal, como noticiou o Estado à época. No fim, porém, acabou votando pelo afastamento de Dilma. Na hora da votação, colocou o filho, então com 15 anos de idade, para anunciar seu voto no plenário da Câmara. 

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