Deputado do PDT assume Direitos Humanos na Câmara

Líder da campanha contra o desarmamento, no plebiscito de 2005, e eleito com doação de R$ 60 mil da fabricante de armas Taurus e o mesmo valor da Companhia Brasileira de Cartuchos, o deputado e advogado criminalista Pompeo de Mattos (PDT-RS) assumiu hoje, apesar da resistência de alguns colegas, a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ele foi eleito com nove votos favoráveis, três nulos e dois em branco. "É como uma guitarra elétrica numa filarmônica. Não é impossível, mas vamos ter que nos afinar bastante", disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Logo no primeiro discurso, Pompeo provocou o governo, em especial o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o PT. Ele falou que os votos contrários eram "um estímulo para trabalhar mais ainda". A entrega da presidência de Direitos Humanos aos pedetistas foi resultado de um acordo entre as lideranças partidárias no rateio das comissões e causou insatisfação em parte do PT, que presidia a comissão. A rebeldia foi ainda maior quando o PDT indicou Pompeo de Mattos. Ele foi relator da medida provisória (MP) do governo que prorrogava o prazo para registro de armas e incluiu uma série de mudanças no Estatuto do Desarmamento que provocaram a ira dos militantes anti-armas. No entanto, o parecer não chegou a ser votado porque o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou ilegal o envio da MP. Hoje, o pedetista disse que não é contra o desarmamento e que garantiu aos donos o direito de entregarem suas armas sem serem punidos.

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