Deputado do DF acusado de fraude renuncia

TJ cassou liminar que suspendia ação contra Pedro Passos

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2015 | 00h00

Quarenta e um dias depois de o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) renunciar ao mandato para escapar da cassação, em meio às investigações da Operação Aquarela da Polícia Civil de Brasília, ontem foi a vez de seu afilhado político, o deputado distrital Pedro Passos Filho (PMDB), repetir o gesto. Passos foi acusado de envolvimento no desvio de recursos públicos por meio de fraudes em licitações, esquema descoberto pela Operação Navalha, da Polícia Federal. A renúncia veio no embalo da decisão tomada no final da tarde pelo plenário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, cassando a liminar que suspendia o processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara Distrital. Ao longo de quase dois anos de investigação, a Operação Navalha interceptou dezenas de conversas nas quais Passos apareceu tratando de negócios com Zuleido Veras e Fátima Palmeira, respectivamente dono e diretora-financeira da Construtora Gautama. A empreiteira baiana é apontada como a principal articuladora do esquema. No dia 17 de maio, foi preso em flagrante em sua casa em Brasília e levado para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal, sob a acusação de formação de quadrilha. Passos justificou as conversas comprometedoras flagradas pela Polícia Federal dizendo que tratava da venda de cavalos com a Gautama e negou envolvimento com as fraudes. Para a PF, as escutas indicam que Passos recebeu propina para facilitar a liberação de recursos para obras na bacia do Rio Preto. Passos também argumentou, na época, que as conversas foram "pinçadas de forma maliciosa".Segundo a PF, a máfia das obras se apropriava de recursos públicos através da Construtora Gautama. A atuação da quadrilha começava na aprovação dos projetos, passava pela interferência nas licitações e terminava com os pagamentos fraudados. Projetos de saneamento, construção de estradas e pontes e programas como o Luz para Todos foram alvos do grupo. Calcula-se que o montante desviado seja de R$ 100 milhões em apenas um ano, mas pode ser maior. A partir da Bahia, a máfia das obras espalhou-se por oito Estados - Sergipe, Alagoas, Maranhão, Mato Grosso, Piauí, Goiás, São Paulo e Pernambuco -, além do Distrito Federal.

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