Deputado do castelo entra na mira do corregedor

ACM Neto recebe pedido do PSOL para apurar se houve irregularidades em uso de verba

Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2009 | 00h00

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu encaminhar ao corregedor ACM Neto (DEM-BA) o pedido formalizado ontem pelo PSOL para que as notas fiscais que revelam as despesas do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) sejam analisadas. Com isso, deu mais um passo para investigar se houve irregularidades no uso da verba indenizatória com gastos com segurança.O PSOL quer saber se os pagamentos beneficiaram empresas de Moreira ou de seus parentes e sócios, já que o parlamentar é empresário do ramo de vigilância. Se houver irregularidade, o passo seguinte será o pedido de abertura de processo de cassação por quebra de decoro.O deputado ganhou notoriedade por conta do castelo em estilo medieval, avaliado em R$ 25 milhões, que possui em São João Nepomuceno (MG) - imóvel que não declarou à Justiça Eleitoral. Essa revelação foi decisiva para desencadear a pressão que levou à sua renúncia ao cargo de segundo vice-presidente da Câmara.Moreira gastou com segurança R$ 245,6 mil em 2007 e 2008, equivalentes a 68% dos R$ 360 mil a que teria direito em verba indenizatória. ACM Neto, que substituiu Moreira na Mesa Diretora, tratou com cautela o pedido do PSOL. Disse que vai analisá-lo antes de decidir as diligências. Pela manhã, procurado pelo PSOL, informou ao líder Ivan Valente (SP) que ele deveria protocolar o pedido na presidência. No fim da tarde, Temer anunciou que o documento será encaminhado à corregedoria.

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