DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Deputado disse que decisão do PMDB de suspendê-lo é 'revanchismo' de Romero Jucá

Executiva decidiu nesta quinta-feira, 10, suspender seis deputados que votaram favoravelmente à denúncia contra Temer

Thiago Faria e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2017 | 21h25

BRASÍLIA - Um dos seis deputados punidos pelo PMDB por ter votado a favor da denúncia contra Michel Temer, nesta quinta-feira, 10, o deputado Vitor Valim (PMDB-CE) disse ter ficado surpreso e atribuiu a decisão a "revanchismo" do presidente da legenda, o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Segundo decisão a Executiva da sigla, Valim teve a sua atividade parlamentar suspensa por 60 dias.

"Eu acho que é um revanchismo dele, porque em vezes anteriores já fiz duras críticas a ele e ao 'banana de pijama', o ministro Dyogo Oliveira (Planejamento). Deve ser por isso", afirmou Valim. "Posso ter uma história menor do que a dele na política, mas é completamente diferente da dele. Eu mantenho a minha coerência do lado do trabalhador. Ele mantém a dele ao lado de governos. Tenho a consciência tranquila, se é para pagar esse preço por ter tomado uma decisão certa, correta e coerente com a minha conduta de vida, não tem problema."

Questionado se tem a intenção de deixar o partido, Valim disse que ainda vai analisar, pois ainda não havia se inteirado completamente sobre a suspensão. 

Além de Valim, o PMDB suspendeu os deputados Celso Pansera (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE), Laura Carneiro (RJ), Sérgio Zveiter (RJ) e Veneziano Vital do Rego (PB). A decisão, segundo a assessoria do partido, não afeta suas atividades parlamentares. Eles continuarão participando de votações, por exemplo, mas poderão ser substituídos caso integrem alguma comissão da Casa.

Segundo o Estado apurou, o pedido de suspensão na reunião da Executiva da legenda partiu do ministro dos Esportes, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que foi líder da bancada no ano passado, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

O presidente do partido havia se reunido na quarta-feira com deputados do PMDB para tratar do assunto. No encontro, ouviu relatos de parlamentares de que estão sofrendo pressão em suas bases eleitorais por terem votado a favor do presidente. O deputado Newton Cardoso Jr (PMDB-MG) disse que sua filha foi questionada pela professora, dentro de sala de aula, sobre o voto do pai, por não dar andamento ao processo contra Temer. "Todos estamos sofrendo, a professora da minha filha questionou ela em sala de aula", afirmou.

Relator. Por meio de nota, Zveiter, que foi relator da denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), disse considerar a decisão "covarde e ridícula". 

"Ridícula pois um partido que usa o expediente inescrupuloso de distribuição de emendas parlamentares, cargos e de ameacas de punição ao direito democrático do parlamentar votar não tem autoridade moral de punir quem quer que seja. Covarde pois ameaçou expulsar e agora vem com essa suspensão. Como não tenho cargos no governo, não sou de frequentar o palácio de pires na mão e não tenho cargo na liderança no PMDB da Câmara. Tal suspensão em nada me afetará", disse. Ele avalia deixar o partido e negocia sua filiação ao Podemos, novo nome do PTN, que já conta com 14 deputados e 2 senadores.

A suspensão é cautelar e o caso ainda deve passar por análise da Comissão de Ética da legenda, que pode indicar novas punições aos seis parlamentares.

Já a deputada Laura Carneiro, que é filha do senador do então MDB Nelson Carneiro, chamou a atitude de sua sigla de "autoritária" e "inabitual". "Essa atitude inabitual do PMDB, nascido da resistência democrática ao autoritarismo, não mudará minhas convicções, nem minha conduta política. Me surpreende o PMDB que acompanhei na sala de minha casa, punir parlamentares não por uma matéria programática, mas de foro íntimo. Meu mandato está e continuará a serviço do Brasil!", disse, por meio de nota.

Procurados, os demais deputados ainda não haviam se manifestado até a publicação da notícia.

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