Deputado deve dar explicações quando achar adequado, diz presidente do PPS

Deputado Stepan Nercessian recebeu R$ 160 mil do bicheiro Carlinhos Cachoeira no ano passado

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2012 | 17h37

RIO - O deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ), que recebeu R$ 160 mil do bicheiro Carlinhos Cachoeira no ano passado, prestará esclarecimentos ao Conselho de Ética do partido no momento em que achar adequado, afirmou nesta segunda-feira, 2, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP). "Ficará a critério dele como esclarecer. As investigações já estão ocorrendo na Procuradoria Geral da República. Não vamos blindá-lo, também não vamos condená-lo", disse Freire.

Stepan Nercessian abriu mão da vaga que ocupava na Comissão de Segurança da Câmara e pediu licença temporária do PPS. Com isso, afastou-se também da presidência do PPS fluminense, que assumiu no lugar do deputado estadual Comte Bittencourt, licenciado para ocupar a Secretaria de Governo de Niterói.

"Não tenho por que me preocupar. O partido reconhece no Stepan uma pessoa com longa militância e honradez. Da nossa parte haverá todo rigor na investigação. Ele também vai prestar esclarecimentos ao Conselho de Ética da Câmara", afirmou Freire, lembrando que Nercessian "não quer envolver o partido porque isso não tem nada a ver com o PPS".

Stepan disse ter pressa de se defender nos conselhos de ética do partido e da Câmara e reclamou de ter nenhuma informação do Ministério Público ou da Polícia Federal sobre as investigações. O parlamentar reiterou que pediu R$ 160 mil emprestados ao bicheiro para a compra de um apartamento e que devolveu logo em seguida, quando conseguiu um empréstimo bancário.

"Eu gostaria que a Câmara tivesse agilidade para instalar o processo no Conselho de Ética e dissesse logo se houve quebra de decoro ou não. Quanto mais instâncias eu tiver para me defender, melhor. Qualquer coisa é melhor do que ficar boiando em um negócio que tem implicações mais fortes", afirmou o deputado. "Não vou constituir advogado até que me digam que eu cometi um crime. Não fui intimado, citado, comunicado de nada. Se eu achasse que fosse crime, não teria feito, porque não sou criminoso", insistiu. Stepan Nercessian garante que não sabia das atividades ilegais de Carlinhos Cachoeira. "Para mim, ele sempre foi um cara rico, empresário", afirmou. O deputado não sabe quando irá a Brasília, pois foi surpreendido pela morte da irmã, Hainy Nercessian, na madrugada de domingo, no Rio.

Roberto Freire não vê desgaste do PPS com o episódio. "Isso tudo é a demonstração da frouxidão moral que tomou conta do País nesse tempo de lulo-petismo. Não esqueça que esse Cachoeira também tem ligação com o PT. As malfeitorias infelizmente estão atingindo quem é do governo, quem é da oposição, quem não é de nada", afirmou.

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