Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Deputado da meia garante que não irá renunciar

Leonardo Prudente (DEM) afirma que sugeriu à mesa diretora que investigue todos os envolvidos, 'inclusive eu'

Leonêncio Nossa e Gustavo Uribe, da Agência Estado,

30 de novembro de 2009 | 18h20

Em rápida entrevista ao chegar ao prédio da Assembleia Legislativa do Distrito Federal, o presidente da casa, deputado Leonardo Prudente (DEM), admitiu que recebeu dinheiro no esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, identificado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Anunciou também que a mesa diretora da Câmara Distrital decidiu abrir processo por quebra decoro parlamentar contra todos os parlamentares no esquema. "Por sugestão minha, a mesa diretora está fazendo representação por quebra de decoro de todos os envolvidos, inclusive eu", disse Prudente.  

 

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Prudente, que aparece em vídeos que constam do processo da Operação Pandora colocando dinheiro no paletó e nas meias, afirmou na entrevista: "recebi dinheiro e coloquei o mesmo nas minhas vestimentas por questão de segurança. Eu não uso farda".

 

O deputado disse ainda que foi vítima de chantagem e recebeu oferta de financiamento para a campanha de deputado distrital em 2006. "Recebi dinheiro do senhor Durval Barbosa. Estou afirmando que recebi".

 

Mesmo tendo admitido que recebeu dinheiro de propina, Prudente disse que não pedirá afastamento do cargo de presidente da Câmara Distrital. Segundo ele, sua gestão à frente da Câmara não foi questionada. Caberá à justiça eleitoral, segundo ele, avaliar se houve crime eleitoral. O deputado também admitiu que não há registros contábeis do dinheiro que colocou na meia e em seus bolsos.

 

 

Deputada se diz perplexa

 

Outro membro da base governista que supostamente recebeu dinheiro provindo de propina é a deputada estadual, Eurides Britto (PMDB), líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal (DF). Ao contrário de seu colega Leonardo Prudente, Britto foi flagrada em um vídeo autorizado pela Justiça guardando uma soma não nas meias, mas sim em uma bolsa de couro. A parlamentar disse, por meio de nota, ter ficado perplexa com as acusações feitas a ela nos últimos dias.

 

Britto é apontada pela PF como uma das autoridades que teriam sido favorecidas por esquema de arrecadação e distribuição de propina a membros da base aliada do governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (DEM). A ação é investigada pela Operação Caixa de Pandora, deflagrada na última sexta-feira, 27, pela PF.

 

Na nota, a parlamentar justifica seu silêncio desde a semana passada pelo fato de não ter tomado conhecimento das acusações que recaem sobre ela. "Não me manifestei antes porque fiquei aguardando conhecer o processo, já que nem sabia do que era acusada." Ela insinua que a maneira como essas denúncias vieram à tona é um sinal de que a oposição no Estado já se prepara para a disputa política no ano que vem. "O embate político de 2010 começou cedo e veio da forma mais repugnante possível", critica.

 

Além de esconder cinco maços de dinheiro na bolsa, a deputada aparece nas imagens que integram a investigação da PF ensaiando uma crítica ao suposto esquema. "Você não acha que o governador perdeu as estribeiras?", questiona, no vídeo. A parlamentar não explica na nota o motivo de ter escondido o dinheiro ou a razão de ter censurado a atitude do governador.

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