PSOL defende novo depoimento de Cunha à CPI da Petrobrás

Deputado Ivan Valente reclamou de esvaziamento da comissão e cobrou personagens que comprometem o presidente da Câmara

Daiene Cardoso , Agência Estado

20 de agosto de 2015 | 11h48

Brasília - Na iminência da apresentação de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) cobrou da CPI da Petrobrás, nesta quinta-feira, 20, a oitiva do delator Júlio Camargo e da convocação da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), personagens que comprometem o peemedebista. Diante do esvaziamento da CPI, Valente disse que Cunha precisa deixar a presidência da Casa e defendeu um novo dodpoimento do peemdebista à comissão. 

O presidente da Câmara já esteve na CPI, onde se ofereceu para depor logo que a PGR entregou a lista dos políticos envolvidos na Operação Lava Jato. Na ocasião, a sessão, composta em sua maioria por aliados de Cunha, se transformou num "ato de desagravo" ao peemdebista e ataques ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Valente disse nessa quinta que a CPI da Petrobrás sofre um processo de desmoralização porque blinda personagens fundamentais da Operação Lava Jato e só traz pessoas de "terceiro escalão". "É uma vergonha para essa CPI o esvaziamento. O senhor Eduardo Cunha precisa depor à CPI e se afastar da presidência da Casa. Essa vergonha não pode continuar. A CPI não pode permanecer cega e muda diante dessa realidade", discursou.

A intervenção do parlamentar ganhou o apoio do sub-relator Altineu Côrtes (PR-RJ). O deputado se disse frustrado com o andamento dos trabalhos e concluiu que a comissão prevarica ao não investigar as questões centrais do esquema de corrupção na Petrobrás. "Vão dizer em 60 dias que a CPI prevaricou porque não investigou nada", criticou. 

Depoimento. A comissão realiza na manhã desta quinta-feia a oitiva do doleiro Raul Srour, que iniciou seu depoimento informando que obteve um habeas corpus que lhe dá o direito a ficar em silêncio. Ele afirmou que não conhece políticos envolvidos no esquema de corrupção e que por isso não tinha muito a contribuir.

A Procuradoria da República imputa ao doleiro envolvimento direto com um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões. Ele nega. "A vinda para mim aqui foi uma surpresa, me parece um equívoco. Não tenho assunto a tratar sobre Petrobrás, não conheço os personagens, me sinto vítima por ter entrado no rabo do foguete", respondeu.

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