Deputado compara Malan a técnico da seleção brasileira

O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) comparou hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a um técnico da seleção brasileira de futebol que, mesmo quando o Brasil perde, afirma que o time até jogou bem. "Tenho a impressão de que não é do mesmo país que estamos falando quando o ministro diz que o Brasil não está em crise nem estará em crise", afirmou o deputado ao ministro, referindo-se a uma frase dita por Malan no início de sua explanação em audiência pública conjunta de três comissões da Câmara sobre o novo acordo do Brasil com o FMI.Berzoini, um dos autores do requerimento de convocação do ministro para o depoimento de hoje, criticou o que chamou de "vulnerabilidade" das contas externas do Brasil e também a evolução da dívida interna com a sua maior exposição à variação cambial. "A cada solavanco do mercado cambial, a nossa dívida tem um grande aumento", reclamou Berzoini. O ministro da Fazenda, em resposta, procurou mostrar que o crescimento da dívida interna foi, em grande parte, em função do reconhecimento de dívidas que não estavam reconhecidas - os chamados "esqueletos". "Sabíamos que isso nos causaria problemas", afirmou, ressaltando que o governo decidiu fazer esse reconhecimento em nome da transparência. "Não achamos que devemos ser penalizados por termos sido transparentes", disse.Ele lembrou ao deputado Berzoini que boa parte do aumento da dívida interna se deve à renegociação da dívida dos Estados e municípios por um prazo de 30 anos, que, em valores atualizados, de julho de 2001, soma R$ 279 bilhões. "E o fizemos, porque achamos que estamos todos no mesmo barco, chamado Brasil", disse o ministro."É fato que a dívida cresceu", admitiu, mas argumentou que, em grande parte, isso ocorreu por causa do reconhecimento dos "esqueletos" e não somente pelo aumento dos juros e do efeito da desvalorização do real.Malan afirmou que os que querem assumir o novo governo deveriam se preparar para lidar com essa situação. Ele se declarou "preocupado" com idéias que qualificou de "estapafúrdias" sobre algumas dessas questões e perguntou ao ministro da Fazenda se está tranqüilo apesar de uma dívida interna tão grande, que, pelo acordo com o FMI, deverá chegar ao final deste ano em R$ 700 bilhões. Berzoini disse que qualquer administrador de empresa ficaria preocupado em administrar um balanço patrimonial tão ruim.

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