Deputado classifica ação como ''agressão gratuita''

Eunïcio Oliveira, cacique do PMDB, evitou ligar caso às disputas com o governo pela CPI da Petrobrás

Rodrigo Rangel, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

A operação da Polícia Federal na sede do diretório do PMDB, em Fortaleza, aumentou a tensão entre a legenda e o governo. "Foi uma agressão gratuita ao PMDB", disse ontem o deputado Eunício Oliveira (CE), um dos caciques da legenda. " Vejo com muita apreensão algo dessa natureza", emendou. O PMDB negocia com o governo apoio na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás em troca de um cargo na direção da estatal. Embora tenha estranhado a ação da PF, o deputado evitou ligar diretamente o episódio às recentes disputas do partido com o governo federal em torno da estatal e da CPI. "Não sei fazer relação entre essas coisas, mas eu acho estranha essa busca e apreensão. Por que o PMDB?", perguntou Eunício. Ex-líder do PMDB na Câmara e ex-ministro das Comunicações no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado é pré-candidato ao Senado pelo Ceará. Ontem, o PMDB, por sua direção nacional, repudiou a "agressão perpetrada" contra o diretório. De acordo com a nota, assinada pelo presidente do partido e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), o diretório foi alvo de uma ação de busca e apreensão "totalmente descabida, seja pela falta de motivos, seja pelo aparato de força utilizado". Na nota, Temer diz que a imagem da sede de um partido político cercado pela Polícia Federal não se coaduna com a democracia em que vivemos. Segundo o partido, o próprio Procurador Eleitoral, autor do pedido de busca e apreensão, reconheceu que nada foi encontrado que comprometesse o PMDB cearense ou seu presidente licenciado, Eunício Oliveira, fato confirmado por certidão emitida pelo oficial de justiça que comandou a operação. "O procurador precisa, agora, explicar os motivos de sua ação", diz o texto.A ação da PF teria sido motivada por um encontro de Eunício Oliveira com vereadores de Fortaleza, na última sexta-feira, num hotel da cidade. Na reunião, o grupo teria manifestado apoio à candidatura de Eunício ao Senado. A busca foi pedida pelo procurador da República Alessander Sales. Ele apura se a reunião configuraria antecipação de campanha, o que é proibido pela legislação eleitoral. "Tudo porque eu participei de uma reunião que nem fui eu que organizei, só fui convidado", disse Eunício. "Isso é um equívoco."De acordo com a direção do PMDB, o argumento de que teria havido propaganda eleitoral antecipada "não se sustenta à luz dos fatos". "O deputado Eunício Oliveira compareceu, dentro das atribuições de seu mandato, a uma reunião com vereadores de Fortaleza, a convite desses", diz a nota. "Vale ressaltar que nenhum deles era do PMDB. Discutiram assuntos de interesse da cidade e do Estado. O encontro aconteceu a portas fechadas. Tentar dar a ele ares de comício fora de época é desafiar o bom senso."

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