Deputado citado em megaoperação do MP nega ter recebido propina

Roque Barbiere (PTB) admite encontro com empresário preso sob suspeita de desviar verba pública, mas diz não ter ganho dinheiro para ajudar execução de obra no interior de SP

Fausto Macedo e Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

10 Abril 2013 | 13h43

O deputado estadual Roque Barbiere (PTB), citado na Operação Fratelli - investigação do Ministério Público sobre desvios der verbas públicas na região de São José do Rio Preto (SP) - admitiu que recebeu em seu gabinete, na Assembleia Legislativa do Estado, o empresário Olívio Scamatti, dono da empreiteira Demop, preso nesta terça-feira, 9. Mas o deputado negou taxativamente que tenha recebido propina do empresário para ajudar na conclusão de uma obra no município de Birigui (SP).

 

"O único contato que eu tive com esse povo aí da Demop foi na mudança do governo estadual. O José Serra (PSDB) havia autorizado um obra no perímetro urbano de Birigui, uma estrada de oito quilômetros e meio. Quando ele deixou o governo, faltava concluir a obra, mas o Geraldo (Alckmin) entrou em mandou revisar todos os contratos, aquelas coisas quando muda governo. Os empresários ficaram muito preocupados e me procuraram."

 

A obra custou cerca de R$ 70 milhões aos cofres públicos. "É a coisa mais linda que se pode imaginar, a obra mais importante da história de Birigui", avalia o deputado.

 

A Operação Fratelli – desdobramento da Operação do Dia Nacional de Combate à Corrupção, que alcançou 14 Estados e levou 92 suspeitos para a prisão – monitorou Olívio Scamatti e outros empresários do interior paulista.

 

O deputado Barbiere caiu no grampo indiretamente, conversando com os empresários sob suspeita. "Aparentemente, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) dizia que não ia concluir a obra. O bonito ia ficar feio. Essa empresa, a Demop, me procurou dizendo que o governo ia paralisar as obras."

 

"Eu fui atrás do Saulo (Abreu Castro, então secretário dos Transportes do Estado) para que concluíssem os trabalhos, era um compromisso do governo Serra. Foi aí que tive contato com esse pessoal, a Demop e uma outra empresa do Paraná cujo nome não me recordo. Eu briguei sim para terminar a obra, é o meu papel, obrigação de parlamentar. A obra foi feita a meu pedido para o povo da região. O interlocutor político era eu."

 

Roque Barbiere disse que recebeu Olívio "umas duas ou três vezes" em seu gabinete na Assembleia. "Recebi eles sim, corri atrás do complemento da obra. Olívio e os empresários do Paraná me procuraram para acabar a obra, sabiam que eu tinha arrumado essa obra, não para eles, mas para a cidade. Tive contato sim, mas porque eles me procuraram. Eu era o pai político da obra."

 

Sobre os grampos em que conversa com Olívio, o deputado declarou. "Tenho 24 anos de mandato. Se alguém achar um secretário de Estado, um governador, um prefeito, um ex-prefeito ou um inimigo que diga que pedi alguma coisa, um empreguinho que fosse, uma moeda mesmo para campanha minha, eu entrego carta de renúncia imediatamente", desafia. "Isso (a citação a seu nome) é maldade, dá a impressão que fiquei achacando empresário."

 

Barbiere é protagonista de um escândalo no Legislativo paulista. Em 2011, ele denunciou que 25% de seus colegas na Assembleia vendiam emendas parlamentares. "Denunciei um esquema. Sou contra emenda, mas sou obrigado a utilizar. Somos reféns das emendas. Deputado não tem que ter emenda nenhuma."

 

 

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