Beto Olveira/Ag Câmara - 17.08.2011
Beto Olveira/Ag Câmara - 17.08.2011

Deputado anuncia troca de partido e deve sair da comissão da reforma política

Almeida Lima migrará do PMDB para o PPS e promete deixar presidência grupo da Câmara que discute mudanças do sistema político

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br

06 Setembro 2011 | 11h08

BRASÍLIA - O troca-troca partidário fará com que a comissão de reforma política da Câmara perca o seu presidente. O deputado sergipano Almeida Lima vai deixar o PMDB para ingressar no PPS e promete deixar o cargo de comando na comissão que discute alterações no sistema político. A formalização da troca partidária deve ocorrer na próxima semana.

 

O próprio Almeida Lima afirma que sua saída é um retrato do sistema político atual. Ele deixará a legenda por não ter conseguido espaço dentro do partido em seu Estado. O deputado almeja disputar a prefeitura de Aracaju, mas o PMDB tem uma aliança com o PT em Sergipe e não deverá ter candidato próprio na capital.

 

A saída do parlamentar foi precedida de um processo judicial. Almeida Lima conseguiu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma decisão favorável da ministra Cármem Lúcia para não correr o risco de perder o mandato na Câmara. No processo, o próprio PMDB nacional concordou com a saída do filiado. Em ofício, o presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp (RO), afirma não haver possibilidade de "convivência política entra Almeida Lima e o PMDB de Sergipe".

 

O deputado reclama de "falta de democracia interna" no partido e faz criticas a Jackson Barreto, vice-governador de seu Estado. Lima reclama de Barreto ter dissolvido o diretório municipal de Aracaju para impedir sua candidatura. Em sua página no Twitter, o vice-governador também não poupa ataques ao adversário: "O que falta a Almeida é a experiência da convivência e da disputa democrática", diz Barreto.

 

Além da crítica à direção local, o deputado federal argumenta ainda a aliança nacional entre PT e PMDB como um desconforto. Para ele, o PMDB virou um "apêndice" do aliado. Almeida Lima cita ainda os recentes casos de corrupção como motivo para buscar abrigo em um partido da oposição. "Esta questão da corrupção está no DNA do PT", cita.

 

Passado. Apesar de agora apelar ao discurso ético, Almeida Lima ficou conhecido nacionalmente justamente por defender um colega suspeito de desvios de conduta. Ele foi o expoente da tropa de choque em defesa de Renan Calheiros (PMDB-AL) em 2007 quando o então presidente da Casa foi forçado a deixar a função para conseguir ser absolvido em plenário.

 

O presidente do PPS, Roberto Freire (SP), minimiza esse registro da biografia da nova aquisição do partido. "Era um caso de consciência pessoal. Não dá para dizer que o Almeida Lima é igual ao Renan. Ninguém o acusa de ser desonesto". Freire destaca como novidade na política o fato de o deputado estar fazendo um movimento inverso ao convencional ao abandonar as benesses da base aliada ao governo federal. "Alguém hoje no Brasil deixar a base para fazer oposição é um fato importante e que merece respeito", diz.

 

Esta não é a primeira vez que Almeida Lima muda de partido. Ele iniciou sua carreira no então MDB, ainda na ditadura militar. Desde então, passou por PSB, PDT e PSDB antes de voltar ao partido de origem, que deixa agora. Apesar do histórico, ele se diz defensor da fidelidade partidária, apesar de defender uma "janela" para permitir aos detentores de mandato a troca de partido seis meses antes da eleição.

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