Deputado alagoano é denunciado por corrupção ativa

Dudu Albuquerque (PSB) é acusado de tentar subornar policiais para inocentar primo que matou estudante

Ricardo Rodrigues, especial para O Estado,

29 de maio de 2009 | 16h59

O deputado estadual afastado Dudu Albuquerque (PSB) foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Estadual pelo crime de corrupção ativa. O parlamentar é acusado de tentado subornar dois policiais civis para evitar que seu primo Carlos Alberto de Albuquerque Melo fosse indiciado pelo assassinato do estudante Carlos Evandro Alves Dias, ocorrido em março de 2007, na saída de uma danceteria no bairro da Jatiúca, em Maceió. Na ação, o MPE afirma que o deputado afastado teria tentado pagar R$ 100 mil para que a polícia encontrasse outro culpado pelo crime.

 

O assassinato teria sido motivado por vingança, poucos dias após uma discussão entre a vítima e o acusado, na praia da Barra de São Miguel, durante o Carnaval. Quem viu a cena ficou chocado com tamanha violência. Foram oito disparos. A documentação aponta que o deputado convidou os delegados da Polícia Civil Nilson Alcântara e Flávio Saraiva para uma visita em sua casa. No encontro, Dudu Albuquerque teria contado o crime cometido pelo primo e pedido aos delegados que outro nome fosse apontado como assassino do estudante.

 

De acordo com a denúncia do MP, os delegados rejeitaram a proposta. Mesmo com a negativa, Dudu Albuquerque tentou corromper outros policiais. O deputado teria procurado o policial civil José Albérico, que trabalhava com Alcântara no 2º Distrito Policial, e pediu que ele tentasse convencer o delegado em aceitar a ideia e não decretar a prisão preventiva do primo. Além de negar novamente o acordo, o delegado e o policial civil denunciaram a tentativa de corrupção. Em abril deste ano o réu Carlos Albuquerque foi pronunciado pelo assassinato.

 

A denúncia do MPE foi feita nesta sexta-feira, 29, e pede a condenação de Dudu Albuquerque de acordo com o artigo 333 do Código Penal Brasileiro, que diz ser crime "oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício". Se condena do, o deputado afastado pode pegar até 12 anos de prisão, mais multa. A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.

 

O deputado foi procurado pela reportagem do Estado, mas não foi localizado para comentar a denúncia. Dudu Albuquerque foi afastado do cargo de deputado por decisão da Justiça. A exemplo de outros parlamentares, ele foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Taturana, acusado de participação no desvio dos R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa. O caso se encontra nas cortes superiores, porque envolve também o deputado federal Francisco Tenório (PMN/AL) e o conselheiro Cícero Amélio, do Tribunal de Contas do Estado.

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