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Deputada sugere voto decisivo por cassação de Cunha

Tia Eron (PRB-BA), que integra Conselho de Ética, elogia relatório favorável à punição do deputado e diz que votará pela 'preservação da moral'

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2016 | 06h37

Considerada dona do voto decisivo que pode livrar o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da aprovação do pedido de cassação no Conselho de Ética da Câmara, a deputada Tia Eron (PRB-BA) elogiou o parecer do relator do caso, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), e disse que votará pela “preservação da moral” na Casa. “Eu sei o que tenho de fazer”, afirmou a parlamentar.

Pressionada pela base eleitoral na Bahia e disputada por grupos pró e contra Cunha, a deputada viu “consistência” no relatório. “Ele foi cirúrgico, decente, não tirou proveito político para ter visibilidade. Ele foi técnico.”

No parecer que pede a cassação de Cunha, apresentado anteontem ao Conselho de Ética, Rogério diz que há provas fartas de que o peemedebista mentiu à CPI da Petrobrás no ano passado, ao negar que tivesse contas no exterior. O relator aponta a prática de condutas graves e ilícitas, como o recebimento de propina do esquema de corrupção na estatal, com base nas investigações da Operação Lava Jato.

O colegiado passou por uma série de mudanças em sua composição, e segue dividido. Cunha conta com o apoio de dez dos 21 deputados titulares do colegiado. O grupo que defende a cassação do mandato soma nove votos e, para empatar o placar, precisa da adesão de Tia Eron. Se a deputada confirmar o voto pela cassação, o desempate virá do presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), adversário de Cunha.

Nas últimas semanas, Tia Eron tem evitado acompanhar todas as sessões do Conselho de Ética, para evitar o assédio. Ela marca presença, assiste aos primeiros minutos das reuniões e sai. Na quarta-feira, ouviu a leitura das primeiras páginas do relatório, mas preferiu uma conversa individual com o relator para definir sua posição.

Nesse diálogo, Tia Eron quis entender os motivos que levaram o relator a pedir a cassação e se emocionar no fim da leitura do parecer. Rogério contou à deputada que havia sido aliado de Cunha – inclusive na campanha do peemedebista pela presidência da Câmara – e que admirava sua atuação política na Casa, mas que, ao se deparar com provas contundentes, não poderia ignorar os fatos. A própria Tia Eron votou em Cunha para o comando da Casa e, ao chegar ao Conselho de Ética, disse que a Câmara “produziu como nunca” sob a gestão de Cunha.

Pressão. Tia Eron admitiu que vem sendo sondada por colegas sobre seu voto, mas disse impor limites às pressões e não escondeu certo incômodo com quem tenta enquadrá-la. “A pressão comigo não vai funcionar. Sei lidar com mecanismos de pressão.”

Nos bastidores, parlamentares contam que aliados de Cunha têm abordado a deputada para garantir o voto decisivo contra o relatório. Na outra ponta, o deputado Celso Russomanno (PRB-SP) e o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) – pré-candidatos às Prefeituras de São Paulo e Rio, – querem que Tia Eron ajude a cassar Cunha. Ambos temem ficar com o ônus de explicar, em suas campanhas eleitorais, por que a correligionária votou favoravelmente ao presidente afastado da Câmara, que já é réu no Supremo Tribunal Federal em denúncia relacionada à Lava Jato.

Mas ela reconhece que a pressão maior vem dos eleitores, principalmente nas redes sociais. “Me perguntam: ‘O que é isso? Você votando lá com o Cunha?’”.

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