Deputada pedirá investigação sobre uso eleitoral do Diário Oficial por Campos

Terezinha Nunes (PSDB) critica a repetição de matérias elogiosas e fotos do governador na 1ª página

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

08 Abril 2013 | 18h20

RECIFE - A deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB), de oposição ao governador Eduardo Campos (PSB), anunciou nesta segunda-feira, 8, no plenário da Assembleia Legislativa estadual, que vai pedir na terça-feira, 9, ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que investigue o uso eleitoral do Diário Oficial do Estado pelo governador Eduardo Campos.

"O governador está usando o Diário Oficial para fazer campanha", afirmou a deputada ao destacar que o informativo "publica até depoimentos de pessoas falando bem do governador". Campos é provável candidato à presidência da República.

A deputada também quer que seja investigada uma matéria de 10 páginas publicada numa revista chamada "Voto", do Rio Grande do Sul, sobre o programa do governo estadual "Ganhe o Mundo", que dá bolsas de estudo no exterior a alunos do ensino público.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Uchoa (PDT), aliado do governador, saiu em sua defesa. Para ele, o fato de o governador protagonizar matérias e fotos na primeira página do Diário Oficial não deve ser entendido como  propaganda do governo. "É prova que o governador Eduardo Campos está trabalhando muito", afirmou ele.

Desde o dia 13 de março, sem interrupção, o Diário Oficial publicou fotos de Campos na sua primeira página. De acordo com reportagem da jornal Folha de S. Paulo, Campos ilustra a primeira página em 47 das 58 edições de janeiro a março deste ano.

Em nota, o secretário estadual de Comunicação, Evaldo Costa informou que são impressos apenas 1.960 exemplares do Diário Oficial de PE, 90% dos quais distribuídos nas repartições públicas - assessorias jurídicas, comissões de licitação, departamentos de pessoal - para controlar atos oficiais e decisões judiciais.

"O que é publicado na parte noticiosa do Diário Oficial, desde que o mesmo existe, é apenas a cobertura jornalística dos eventos públicos nos quais o governador participa", destacou. Não há portanto, segundo ele, "nenhuma intenção de promover o governador, que, para isso, recorre a veículos adequados e mais eficazes".

De acordo com a nota, "era assim desde os anos 60, em todos os governos que passaram pelo Palácio do Campo das Princesas. É assim também em São Paulo e na Bahia, no Rio Grande do Sul e no Amazonas. O mesmo procedimento é observado pelos editores dos diários oficiais da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas".

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