Najara Araujo/Câmara dos Deputados
Najara Araujo/Câmara dos Deputados

Deputada do PSL acusa ministro do Turismo de orquestrar esquema de laranjas

Em depoimento à PF, Alê Silva (PSL-MG) também diz que Marcelo Álvaro se blindou ao oferecer cargos a outros envolvidos

Leonardo Augusto, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2019 | 15h15
Atualizado 14 de maio de 2019 | 09h41

BELO HORIZONTE - A deputada federal Alê Silva (PSL-MG), que afirma ter sido ameaçada de morte pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, prestou depoimento nesta segunda, 13, por aproximadamente duas horas à Polícia Federal em Belo Horizonte dentro do inquérito que apura o suposto esquema de candidaturas-laranja que teria sido montado pelo partido em Minas nas eleições 2018. O atual ministro de Jair Bolsonaro foi presidente da legenda no estado até o final do ano passado. "Confirmei a forma como eu cheguei até o esquema, e da minha convicção de que ele tenha sido orquestrado pelo ministro", disse a deputada, ao deixar a PF. 

Alê Silva afirmou ter identificado irregularidades analisando as contas das quatro candidatas derrotadas que fizeram inicialmente a denúncia. "Vi que tinham recebido valores expressivos do fundo de campanha, e que esse dinheiro teria sido repassado para empresas de propriedade de assessores de Marcelo Álvaro".

A parlamentar disse ainda que, depois das denúncias, o ministro passou a oferecer cargos para aliados que teriam envolvimento com o esquema. "Marcelo Álvaro trouxe todo mundo para perto de si e tenta, com isso, se blindar. Ninguém larga a mão de ninguém", afirmou a deputada.

Alê Silva acusa o ministro de produzir notícias falsas contra ela. "Um saiu do próprio celular dele. Disso tenho prova porque produziu fake news e colocou dentro do grupo nacional do PSL". A deputada disse não se importar se o ministro vai permanecer ou não no cargo. "Por mim pode continuar. Não é da minha competência destituir alguém ou nomear alguém. O que quero é que pare de mandar pessoas produzir fake news e deixe as investigações prosseguirem".

A deputada disse não entender os motivos que levam o ministro a dizer que vem sendo vítima de "fogo amigo" dentro do partido. "Não sei, porque nunca fui amiga dele", afirmou. Em abril, a deputada já havia prestado depoimento à Polícia Federal em Brasília sobre a ameaça de morte que teria sofrido do ministro. A reportagem entrou em contato com o Ministério do Turismo e aguarda retorno com posicionamento sobre as declarações da deputada.

O que diz o ministro

Marcelo Álvaro Antonio afirmou, também nesta segunda-feira, 13, em Belo Horizonte, que não tem motivos para deixar o ministério e que o presidente da República, Jair Bolsonaro, é um "homem bom, justo, e não vai fazer nenhum tipo de pré-julgamento". Álvaro participou de audiência na Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O ministro negou participação no esquema, que consistia em utilizar recursos de fundo público destinado a candidaturas de mulheres para outros fins. "Já disse e repito. Em relação a isso, tenho minha consciência tranquila. Nunca sentei com nenhuma dessas meninas para tratar de qualquer tipo dessa situação. Nunca orientei nenhum tipo de assessor a fazer". 

Quatro candidatas já disseram em depoimentos que o esquema existiu. O ministro disse que estava sobrecarregado durante a campanha do ano passado, quando disputou reeleição para a Câmara Federal. "Na época da eleição, eu rodei por todo o Estado de Minas Gerais. Fui votado em 848 municípios (Minas tem 853). Eu estava sobrecarregado, ainda coordenando a campanha presidencial aqui", disse.

O ministro disse que não entraria "no mérito", ao ser questionado se concedeu cargos públicos para investigados no esquema das candidaturas-laranja, como afirmou a deputada Alê Silva. 

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