Deputada deve rejeitar recurso a favor de Wanderval Santos

A deputada Denise Frossard (PPS-RJ) deverá opinar pela "total improcedência" do recurso interposto pelo deputado Wanderval Santos (PL-SP) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara contra a decisão do Conselho de Ética da Casa de sugerir ao plenário da cassação do mandato do parlamentar. O parecer deverá ser lido nesta terça-feira, na CCJ, mas sua votação poderá ser adiada, se houver pedido de vista.No recurso, Wanderval Santos, ex-bispo da Igreja Universal, sustenta que deveria ter tido novos prazos para defesa, porque a razão principal da condenação não foi o fato que motivou a abertura do processo contra ele. Um assessor de Wanderval recebeu R$ 150 mil em dinheiro vivo do valerioduto. O parlamentar defende-se dizendo que não soube do saque, que teria sido feito a mando do então deputado Bispo Rodrigues, também da Igreja Universal e superior a Wanderval na hierarquia da igreja. Wanderval diz que obedecia ordens de Rodrigues na Câmara e que orientou seus assessores a seguirem as ordens do líder.Rodrigues, que já não pertencia mais à Universal, renunciou ao mandato depois que foi denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos organizadores do mensalão, pagamento de propina a deputados para apoiarem pleitos governistas na Câmara.O relator do caso no Conselho de Ética, deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), considerou que Wanderval feriu o decoro parlamentar ao "terceirizar o mandato" e, "por opção", submetê-lo a Bispo Rodrigues. A deputada Denise Frossard sustenta que foi o próprio Wanderval quem revelou a "tese da submissão integral de seu mandato ao então deputado Bispo Rodrigues"."Foi ele que trouxe o fato para os autos. Não foi a acusação. Não houve surpresa para a defesa. Antes do processo no Conselho de Ética, o deputado já tinha dito à Corregedoria da Câmara que se submetia ao deputado Bispo Rodrigues", disse hoje a relatora.O advogado de Wanderval, Marcelo Bessa, afirmou ter esperanças de que a CCJ rejeite o parecer de Denise Frossard. Ele disse que vai aguardar a decisão final da CCJ antes de decidir se recorre ao Supremo Tribunal Federal. (Luciana Nunes Leal)

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