Cleia Viana/Câmara dos Deputados
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Deputada da Rede é a única da 'bancada do RenovaBR' a votar contra reforma

Joênia Wapichana (Rede-RR), a primeira deputada indígena brasileira, se posicionou contra a mudança na regra de aposentadoria; oito deputados que passaram pelo grupo de renovação apoiaram o projeto

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2019 | 13h49

Oito dos nove deputados federais eleitos com passagem pelo grupo de renovação política RenovaBR votaram na quarta-feira, 10, favoráveis à reforma da Previdência. A exceção foi a deputada Joênia Wapichana (Rede-RR), a única parlamentar indígena do Congresso Nacional

Em seu discurso, Wapichana se posicionou contra o argumento de que a reforma seria a "bala de prata" para a economia da brasileira, citando a necessidade de outros ajustes estruturantes, como a reforma tributária. "A Rede Sustentabilidade reconhece e defende a necessidade de promover uma reforma da Previdência social. No entanto, entendemos que a mesma deve ser sustentável, justa e inclusiva. A grande questão sempre foi: qual reforma?", afirmou em seu discurso. 

"Em um País com desemprego estrutural, como fazer com que a grande maioria dos trabalhadores se aposente apenas com 60% do valor e seus salários e exigir 40 anos de contribuição para terem acesso ao benefício integral?", criticou.  

Os outros deputados eleitos que passaram pelo movimento de formação política foram Tabata Amaral (PDT-SP), Vinicius Poit (Novo-SP), Marcelo Calero (Cidadania-RJ), Paulo Ganime (Novo-RJ), Luiz Lima (PSL-RJ), Lucas Gonzales (Novo-RJ), Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tiago Mitraud (Novo-MG). 

No ano passado, o RenovaBR foi a base de lançamento da candidatura presidencial do apresentador Luciano Huck, que teria o então governador capixaba Paulo Hartung como vice. O projeto, porém, acabou não se concretizando, mas o RenovaBR transformou-se num programa bem-sucedido de bolsas para formação de políticos em início de carreira. 

Além dos nove deputados federais, um senador e sete deputados estaduais foram eleitos após passagem pelo RenovaBR. Cada um deles recebeu uma bolsa que variou entre R$ 5 mil e R$ 12 mil e participou de um curso de 5 meses.

Sem interferência

Procurado, o RenovaBR informou que não interfere nas decisões políticas dos eleitos. "Os 17 parlamentares formados pelo RenovaBR têm independência nas pautas que defendem. Capacitamos líderes de diferentes partidos com diferentes ideologias. Todos são responsáveis pelas suas convicções", afirmou o grupo em nota enviada ao Estado

"Esses líderes têm apenas quatro compromissos: cumprir o mandato até o fim, ter total transparência com o eleitor, tratar com responsabilidade o dinheiro público no âmbito do seu mandato e ser proponente constante do aperfeiçoamento da democracia. Acreditamos na independência de todos membros de nossa rede de líderes".

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