Depósito complica aliado de Paulinho

Quebra de sigilo revela, segundo PF, que ONG do vice-presidente da Força Sindical teria recebido R$ 82,1 mil

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2008 | 00h00

A Polícia Federal descobriu um novo depósito de R$ 82,1 mil na conta da ONG Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Pesquisa Política, Social e Cultural do Trabalhador - Luta e Solidariedade, que foi dirigida por Eleno José Bezerra, vice-presidente da Força Sindical e aliado do deputado Paulo Pereira da Silva. O repasse foi feito em 28 de março, como revela a quebra do sigilo bancário da entidade.A Operação Santa Tereza apontou Paulinho como integrante de organização criminosa para desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A PF supõe que o dinheiro que foi parar no caixa da Luta e Solidariedade saiu do BNDES e teve Paulinho como destinatário. O parlamentar nega qualquer vínculo com a organização.Paulinho vai ser ouvido pela PF em agosto. O depoimento será registrado no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após tomar as explicações do deputado, a PF vai remeter ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República todos os dados que reuniu sobre a presumida ligação de Paulinho com os principais acusados da Santa Tereza. Amanhã, o deputado vai depor no Conselho de Ética da Câmara, no processo que pede a sua cassação.No início da investigação, a PF identificou um primeiro depósito na conta da ONG, realizado em 18 de março, também no valor de R$ 82,1 mil. Os investigadores estão convencidos de que Luta e Solidariedade e Meu Guri - ONG presidida por Elza Pereira, mulher do parlamentar - teriam sido o elo entre Paulinho e a organização. No dia 1º de abril, a Meu Guri recebeu R$ 37,5 mil do lobista João Pedro de Moura, braço direito de Paulinho, capturado na manhã do dia 24 daquele mês.O sigilo bancário das duas ONGs foi aberto pelo juiz Marcio Ferro Catapanni, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que conduz ação penal contra 13 réus da Santa Tereza. Os dois repasses, até aqui identificados, em benefício da Luta e Solidariedade foram feitos pelo empresário Marcos Mantovanni, diretor-proprietário da Progus Investimentos, Consultoria e Assessoria e apontado pela PF como mentor da trama BNDES. A PF diz não ter dúvidas do envolvimento de Paulinho e sustenta que as provas contra ele são decisivas.No relatório de 89 páginas enviado à Justiça, os federais informaram que descobriram a parte que caberia a Paulinho analisando discos rígidos copiados de computador da Progus. "A Polícia Federal diz muita coisa e prova pouco", afirma o criminalista Leônidas Scholz, que defende Paulinho da Força (PDT-SP). "Essa ONG (Luta e Solidariedade), pelo que me consta, nunca teve qualquer relação com Paulinho."

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