Depois de Pizzolato, Itália quer tratamento preferencial do Brasil a seus interesses

Em visita ao país, presidente Dilma Rousseff se reúne com o presidente Sergio Matarella e o chefe de governo Matteo Renzi

O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2015 | 06h44

ROMA – Pela primeira vez desde o sinal verde do poder Executivo italiano para extraditar Henrique Pizzolato ao Brasil, a presidente Dilma Rousseff visita Roma e se reúne com a cúpula do governo. Nesta sexta-feira, ela estará com o presidente italiano, Sergio Matarrella, e com o chefe do governo Matteo Renzi, em Roma.

Oficialmente, o assunto do ex-diretor do Banco do Brasil não estará na agenda. Mas fontes em Roma garantem que esperam que o Palácio do Planalto entenda que o gesto do governo foi inédito e que, agora, é “tempo de retribuição”.

Pizzolato, condenado no caso do mensalão, ainda está preso na Itália e aguarda uma decisão final da Justiça, depois de um recurso do brasileiro que freou o processo. A audiência está marcada para setembro. Mas, pela primeira vez na história das relações bilaterais, Roma aceitou extraditar um cidadão que também tem nacionalidade italiana e que já fez sua parte. 

Na agenda de hoje, os italianos querem falar da venda de fragatas ao Brasil, um assunto que acabou congelado em 2012. Mas também querem que a relação que foi considerada como “estratégica” em 2007 volte a ganhar o mesmo padrão. 

Os italianos também organizam para o final do ano ou início de 2016 uma ampla comitiva de empresários em busca de negócios no País.  

Hoje, os italianos também esperam ouvir de Dilma uma posição favorável as empresas de Roma. São cerca de 1,2 mil atuando no Brasil, com um estoque de investimentos de quase US$ 20 bilhões. O comércio, em 2014, também colocou os italianos entre os dez maiores parceiros comerciais. “Queremos virar a página e dar um sinal claro de que queremos uma nova relação com o Brasil”, disse um alto representante do governo Renzi. 

Do lado dos italianos, porém, o governo tem sempre insistido na questão de Cesare Battisti, condenado em Roma por terrorismo e que ganhou asilo no Brasil. Agora, com a decisão de Renzi de extraditar Pizzolato, a esperança é de que o gesto seja retribuído. 

Grécia. Outro tema na agenda será o impacto da Grécia na economia mundial. A Europa vive dias decisivos e Dilma quer saber o que o bloco planeja para os próximos dias e quais seriam os cenários em caso de um fracasso nas negociações.

Se a Grécia tem uma participação marginal na Europa e um impacto insignificante no Brasil, a preocupação do País é "sistêmica". O governo teme uma eventual falta de acordo até domingo, o que poderia ter uma repercussão na economia mundial. Nos últimos dias, até mesmo o governo de Barack Obama passou a cobrar a Europa por uma solução, enquanto seus assessores deixaram claro que o impacto de uma eventual saída da Grécia do bloco poderia criar uma turbulência ainda maior que a quebra do Lehman Brothers, em 2008. 

No caso do Brasil, a preocupação com a Europa tem um motivo especial: o bloco é o maior destino das exportações do País e um novo colapso da economia da UE significaria um prejuízo ainda maior para setores inteiros no Brasil. Sem um crescimento da economia nacional, a aposta do Palácio do Planalto é de que as exportações garantam algum tipo de oxigênio por alguns meses. 

Além de um almoço com Mattarella e uma reunião de trabalho com Renzi, Dilma tem um encontro marcado com o diretor da FAO, José Graziano. 

No final do dia, ela embarca para Milão para visitar o pavilhão brasileiro na Expo Mundial. 

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