Depois de Lula, Dulci sai em defesa de Sarney

Os integrantes do governo Lula estão demonstrando sintonia na defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que está no centro de um escândalo de nomeações de parentes por meio de atos secretos. Hoje foi a vez do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci (PT), sair em defesa do peemedebista. Dulci pediu "muito respeito" a Sarney, por conta da "contribuição extraordinária" que o senador teria dado ao País. O PMDB de Sarney é o aliado mais disputado para a sucessão presidencial de 2010.

CAROLINA FREITAS, Agencia Estado

19 de junho de 2009 | 16h55

"O presidente (Lula) falou algo que todo brasileiro lúcido sabe", disse Dulci, após participar da cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. "Sarney teve um papel muito importante na redemocratização do País e se desincumbiu de seus cargos sempre com senso de responsabilidade, qualidade institucional e honestidade pessoal." Para o secretário-geral da Presidência, a evocação do passado de Sarney por Lula é "justa e necessária". "É um testemunho sobre um político que, como todo ser humano, tem qualidades e defeitos."

Questionado se, por isso, Sarney estaria livre de julgamentos, Dulci disse não estar informado sobre as denúncias envolvendo o presidente do Senado. "Não sei, não estou acompanhando. A gente trabalha 14 horas por dia", respondeu. Informado sobre os atos secretos, disse que não caberia a ele opinar sobre o assunto. "O Senado está tratando dessas questões. Se houver providências, devem ser tomadas pelo Poder Legislativo. O parlamento será capaz de encontrar soluções e avançar."

Dulci aproveitou para fazer elogios ao PMDB e reiterar a confiança no apoio do partido à pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Vamos estar juntos nas eleições de 2010", disse. O secretário-geral da Presidência descartou qualquer possibilidade de estremecimento na relação entre o PMDB e o governo pelo fato de o partido ter contribuído com assinaturas para a instalação da CPI da Petrobras. "Não acredito que encaminhamentos internos do Parlamento prejudiquem a nossa aliança", disse. "O PMDB tem sido muito leal ao presidente Lula."

O presidente do Senado é um dos citados entre os senadores que teriam sido beneficiados por centenas de atos secretos que determinaram criações de cargos, nomeações e aumentos salariais na Casa, conforme denunciou reportagem publicada pelo O Estado de S. Paulo no dia 10. Entre os parentes diretos de Sarney nomeados por meio de atos secretos estão um neto, uma nora, duas sobrinhas e uma cunhada.

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