Fernando Gomes/Agência RBS
Fernando Gomes/Agência RBS

Depois de cortar custos, Sartori aumenta vencimentos de todo o primeiro escalão

Decisão publicada nesta sexta gerou polêmica nas redes sociais; medida contraria discurso de austeridade adotado pelo governador 

ELDER OGLIARI, correspondente, Estadão Conteúdo

16 de janeiro de 2015 | 15h46

Porto Alegre - O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), sancionou os projetos que reajustam seu próprio salário e também os do vice-governador José Paulo Cairolli (PSD) e de secretários e deputados estaduais. Os aumentos variam de 26,34% a 64,22% e são próximos à inflação correspondente ao período em que os valores não foram corrigidos. 

No caso de Sartori, o salário anterior, de R$ 17.347,14, vigorou do primeiro mês da gestão Yeda Crusius (PSDB), em janeiro de 2007, ao último da gestão Tarso Genro (PT), em dezembro de 2014. O ex-governador não quis ter seu salário corrigido quando assumiu. Agora, com aumento de 45,97%, pouco inferior à inflação de 47,47% (IPCA), os vencimentos do novo governador passam para R$ 25.322,25.

Para os salários do vice e dos secretários, o reajuste foi de 64,22%: o valor passou de R$ 11.564,76 para R$ 18.991,69. Os deputados estaduais, que haviam recebido reajuste no início da legislatura anterior, em 2011, ganhavam R$ 20.042,34 e passam a receber R$ 25.322,25, variação de 26,34%, quase idêntica à da inflação, de 26,05%.
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A decisão de Sartori, publicada nesta sexta-feira, 16, no Diário Oficial do Estado, provocou polêmica nas redes sociais. A maioria dos internautas criticou a medida por entender que ela contraria o discurso de austeridade feito pelo peemedebista durante a campanha e logo depois da posse. 
Reação. Um dos críticos foi o ex-governador. “Não aumentei o salário do governador nem dos secretários. Aumentei a cobrança da dívida pública e pagamos o dobro dos precatórios herdados”, disse Tarso no Twitter. O petista afirmou que o “rombo financeiro do Estado” que vem sendo anunciado pela atual administração é uma “farsa” e uma “mentira deslavada”. 
Sartori, que estava na cidade de Horizontina (RS) participando da abertura da colheita do milho, considerou, em entrevista à imprensa local, que seria “oportunista e demagogo” não sancionar o reajuste.

Diante da repercussão negativa, o Palácio Piratini emitiu nota ontem explicando que o projeto de aumento tem origem na Assembleia Legislativa e foi aprovado por todos os deputados, de todos os partidos, em dezembro, ainda no período do governo atual. Também destacou que o reajuste é feito de quatro em quatro anos e que “houve apenas uma atualização com base na inflação”.

Antes de sancionar os aumentos, Sartori havia decretado, no dia 5, uma série de medidas de contenção de gastos, como limitação do uso de diárias e passagens aéreas e suspensão por seis meses de locação de bens e imóveis, contratações, processos seletivos e nomeação de concursados. O governo calcula que tais medidas de contenção de gastos representem uma economia de cerca de R$ 600 milhões nas contas do governo em 2015. 

O governo estadual tem pela frente uma perspectiva de déficit de R$ 5,3 bilhões das contas públicas em 2015. Como base de comparação, o montante a ser poupado representa, segundo o secretário da Fazenda, Giovane Feltes, o pagamento de dez dias da folha do funcionalismo, que gira em torno de R$ 1,9 bilhão por mês. 

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