Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

Depois de Clinton, atletas da Mangueira esperam conhecer Obama

Vila Olímpica da comunidade aguarda autorização para levar comitiva de 30 jovens ao encontro de chefe de Estado; parte do grupo participou de evento em 1997

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

16 de março de 2011 | 18h51

RIO - Quase 14 anos depois de o presidente americano Bill Clinton visitar a Vila Olímpica da Mangueira, na zona norte, os atletas da comunidade estão agora na expectativa de ir ao encontro de Barack Obama. A coordenação da Vila Olímpica espera o sinal verde do governo do Estado para levar comitiva de 30 jovens para assistir ao discurso de Obama na Cinelândia, no centro, na tarde do próximo domingo, 20.

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"Seria maravilhoso apertar a mão de dois presidentes, primeiro o Clinton, depois o Obama", comentou nesta quarta-feira, 16, Iracema Rosa Gonzaga, que tinha 20 anos quando integrou o grupo de atletas que recepcionou Bill Clinton na Mangueira. No mesmo espaço onde Clinton bateu bola com garotos da favela, depois de discursar para os moradores, Iracema lembrou detalhes da visita ilustre.

"Quando fui escolhida para ficar perto do Clinton, fiquei eufórica. Tinha um aparato enorme de segurança, detector de metais. A gente não estava acostumado a ver aquilo. Quase desmaiei quando ele apertou minha mão. Ele foi super simpático. Até hoje guardo de lembrança o macaquinho verde e rosa que usei naquele dia", conta Iracema, moradora de Niterói que fez carreira na Vila Olímpica, primeiro como corredora de fundo e, depois de se formar em Educação Física, como treinadora de corrida com barreira.

Iracema lembrou como os jovens vibraram quando Clinton, ao lado do ex-jogador Pelé, então ministro do Esporte, bateu bola, cobrou um pênalti e, claro, fez o gol. Na inesquecível definição de Jamelão, intérprete mangueirense que morreu em 2008, Clinton deixou a favela "feliz como pinto no lixo".

Muitos jovens que receberam Clinton na Vila Olímpica se tornaram atletas profissionais. Até hoje moradora da Mangueira, Aline Campeiro deu ao Brasil a primeira medalha no levantamento de peso, em 2010, nos Jogos Sul Americanos de Medellin. O ex-competidor e hoje professor de salto triplo e a distância, Jomar Lino Dias, lembra o esquema de proteção ao presidente americano. "Havia seguranças armados no alto dos prédios, a 200 metros de distância. Eu pensei que o Clinton fosse ficar distante de todo mundo. Mas ele não tinha nada de antipático, cumprimentou, brincou com a gente", lembra Jomar, que na época tinha 17 anos.

Entre os adolescentes apaixonados por futebol que cercaram o presidente americano, alguns se tornaram profissionais de futsal e hoje atuam fora do Rio. É o caso do filho de um antigo traficante da Mangueira, Ricardo da Silva Gomes, o Ricardo Coração de Leão, morto em 2002. O rapaz, segundo moradores, volta uma vez por ano à favela, na época do Natal.

Assim como fez Clinton em outubro de 1997, no domingo Obama também vai a uma favela, mas o local escolhido foi a Cidade de Deus, na zona oeste. Clinton ficou apenas algumas horas na cidade e optou por um vôo de helicóptero pelos principais pontos turísticos. Obama tem programada uma visita ao Cristo Redentor e dormirá duas noites na cidade.

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